Página Preta
quinta-feira, fevereiro 28, 2002
 
Mas porque o aniversário não pode ser assim: “Segundo dia de lua cheia de cada mês”. Que dia é o aniversário? No segundo dia de lua cheia de cada mês. Eternamente. Com 12 luas cheias fazemos 1 ano. Tudo bem que eu esqueço até o “5 de maio”, que outro dia cismei que era 4 de maio. Pode? Imagina pra eu lembrar do dia de lua cheia do mês!
 
 
Não sei como não dizer que sou eu ou quem eu sou de tão certa que nunca estive tanto disso. Não sei. O certo é que não tem jeito, não vou poder me esconder porque olham pra mim diariamente, à mesa, nas refeições. O certo é que não tenho muito o direito de parecer o que não sou, apesar de Ter sim direito de não sofrer dos outros quem eu sou. O certo é que existe muito pouco de certo e justo por aqui e eu não vou aceitar me deixar abandonada pra ser outrém. Porque pra parecer essa que eu pareço não vou Ter que ser . O certo é que o mundo me olha e me julga e muda tudo com o olhar. E que eu olho, vejo e não mudo e mudo tudo com meu olhar. Então disfarço, mudo o nome das coisas, mudo um enfeite de lugar. Só o suficiente pra quem não quiser enxergar. Esteja à vontade. Os olhos são seus e eu não vou obrigar.
 
domingo, fevereiro 24, 2002
 





To: Spoiled Lady spoiled@blabla.com
Subject: Quem vive de vento está na Europa
Date: Thu, 29 Aug 2001 11:27:45

Encher cadernos, esvaziar canetas, preencher linhas, procurar palavras, gritar nomes, esgotar assuntos, desafogar o peito.
Encher os pulmões, esvaziar os olhos, preencher tempos, procurar silêncio, esgotar a pele, desafogar as retinas.
Um dia fazer alguma coisa a respeito do desejo que sinto por você.
É disso que vivo. Não consigo menosprezar minhas vontades de menina mimada. As comparo a necessidades biológicas, fisiológicas. Você diz que é exagero porque não vive de querer. Então não estou apaixonada mas te beijei por cinco minutos e era tudo o que queria fazer por toda noite. Olha, eu podia querer tudo mais. Eu tinha seu corpo inteiro nos cinco minutos mas eu só quis a sua boca, porque já era tanto! Eu podia querer que você se apaixonasse ali, em cinco meros minutos, eternos cinco onde não cabia nada além da sua língua.
É disso que vivo. Então não me recrimine. Tem gente na Europa que compra ar puro e eu vivo de vontades. Das vontades que olham pra mim e me vêm nua e me acham bonita como eu me acho. Eu bebo o desejo dos outros por mim. Eu aspiro o ar da sua boca quando seu hálito cheira a cinco minutos de desejo por mim.
Eu sou pura vaidade de saltos muito altos e sorriso mais traiçoeiro do que parece.
Eu vivo de cadernos jogados pra que todos vejam, de escancarar minha escória e ser muito doce. Eu vivo de cinco minutos da sua cintura inteira nas minhas mãos.
 
sexta-feira, fevereiro 22, 2002
 




Essa é para a menina com uma flor:



Você e Eu

(Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)



Podem me chamar

E me pedir e me rogar

E podem mesmo falar mal

Ficar de mal que não faz mal

Podem preparar

Milhões de festas ao luar

Que eu não vou ir

Melhor nem pedir

Eu não vou ir, não quero ir

E também podem me obrigar

Até sorrir, até chorar

E podem mesmo imaginar

O que melhor lhes parecer

Podem espalhar

Que eu estou cansado de viver

E que é uma pena

Para quem me conheceu

Eu sou mais você

E ......... eu


 
 
Minha linguista de plantão está de greve. Uma carinha murcha... Dá dó... Culpa minha, mas não sei porque. Foda.
 
 
Nossa, é péssimo quando você julga mal uma pessoa precipitadamente. Só conversei com a menina uma vez e achei o papo um saco. Parece que não é bem assim...
 
 
No pretension , no fear
 
 
O blog vai Ter que mudar. Foda. Não tenho tempo nem de postar. (sempre me lembro de posta de peixe quando falo isso)
 
 


Wake up and smell the coffee

(Cramberries)

I, I went to hell, I might as well learn by my mistakes

I, at twenty-four, was insecure, do whatever it takes



Come on and wake up, wake up, wake up, wake up

Shut up, shut up, shut up, shut up

It’s time, smell the coffee, the coffee



She’s only got one reason to live, this is your life

She’s only one message to give, give it tonight



She’s so gorgeous, I’ll do anything

She’s so gorgeous, I’ll lose everything.



Any day!



Come on then wake up, wake up, wake up, wake up

Shut up, shut up, shut up, shut up

It’s time, smell the coffee, the coffee



She’s only got one reason to live, this is your life

She’s only one message to give, give it tonight



She’s so gorgeous, I’ll do anything

She’s so gorgeous, I’ll lose everything.



Any day!



 
quarta-feira, fevereiro 13, 2002
 

Ontem à noite fiquei deprê por causa de um filme que vi. Tava passando no SBT (só isso já é deprê, né). A história de uma modelo chamada Gia. Parei pra ver porque estava passeando pelos canais e vi duas lindas moças se beijando. Falei “ué, isso não é o SBT!”. Aí fui assistir, tava até achando legal porque a menina era toda desequilibrada, a tal modelo. E a namorada dela era toda tranquila, cuidava dela quando ela usava muita heroína e queria que ela largasse as drogas e o trabalho. Pensei “até que a parte lésbica tá tranquila, a namorada não é a perdição da outra”. Aí só acontece tragédia, a menina vicia em tudo, fica mal, não arruma emprego, perde a namorada e fica arrasada. Vai pra uma clínica de reabilitação e fica mal, com aquelas síndromes de abstinência cinematográficas e tal. Ela se recupera, fica boa, liga pra namorada. Aí descobre que está com AIDS. Foda. E tem mais uma porrada de desgraça até ela morrer. Ai, chorei de mais. Até ficar irritada de chorar por causa de um filme que é feito pra chorar...
 
 
Antes da carta estava escrevendo umas coisas no meu super-caderninho. Fiquei meio acanhada de escrever no plural feminino e fico tão irritada quando sinto isso... Aí escrevi tudo no masculino. Como se fossem dois homens. Ficou até engraçado.
 
 
Nossa, como eu estou com saudade. Estou espantada. Mas tá tão ruim.. Tem uma saudade boa. Essa não é não. Escrevi um bilhete ontem a noite. Já estava quase dormindo e fiquei pensando tanto... Aí acendi a luz e escrevi um bilhete de ausência. Dobrei em cima e embaixo, imitando um envelope e escrevi: “O Bilhete de Ausência ou Uma página que fugiu do caderno”. É porque eu tenho um caderno secreto que todo mundo quer ver. E escrevi umas coisinhas. Depois desenhei duas noivinhas de palitinho, que é como eu sei desenhar. O bilhete falava que eu queria casar com ela. Fechei o caderno com o bilhete dentro e fui dormir. Acordei com a minha mãe arrumando o meu quarto comigo ainda dormindo. Depois que levantei vi, em cima da estante, o meu caderno com o bilhete em cima, dobrado. Ela estava no quarto. Peguei o papel, coloquei dentro da caderneta e coloquei a caderneta dentro da gaveta. Foi foda. Não sabia o que pensar. As vezes acho patético. Me acho patética. Mas acho que eles não sabem. E talvez isso seja ainda mais patético. Mas reli o bilhete e não havia nada que denunciasse. Um plural no feminino que poderia muito bem ser um “o” parecendo um “a”. O mais foda são as noivinhas...
 
 

Marcha da Quarta-Feira de Cinzas


Acabou nosso carnaval, Ninguém ouve cantar canções, Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações. Saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê, É uma gente que nem se vê, Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando, Dançando e cantando cantigas de amor.
E no entanto é preciso cantar, Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cida- de.
A tristeza que a gente tem, Qualquer dia vai se acabar, Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança, Contente da vida, feliz a cantar.
Porque são tantas coisas azuis, Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sa- be...
Quem me dera viver pra ver, E brincar outros carnavais, Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas, E o povo cantando seu canto de paz, seu canto de paz...

 
quarta-feira, fevereiro 06, 2002
 

De que cor ele é?
Na verdade o que me falta é um pouco de acidez. Uma cara menos simpática, um sorriso menos amável. Porque não sou moça recatada ou comedida. Sou daquelas de exagero, vulgaridade. Das que falam alto o que não deviam. Das que bebem demais, das que não sabem manter a compostura. Das chatas, pouco arrogantes, inconvenientes. Das que não são discretas, das que não sabem esconder o que os outros morrem pra saber. Das que se calam de repente e deixam o silêncio incomodar. Das que se entristecem e têm olheiras sempre. E sorriem mesmo assim, quando alguém chega. Sou falsa, medíocre, hipócrita. Como as coisas muito doces ou cor-de-rosa.

 
 

O pior é que eu falo alto. Quando me empolgo com algum assunto. Alto e esganiçado também. Quando eu fico bêbada os meus ouvidos fazem um barulho muito engraçado. Meio surdo, um zumbido, meio tampado, uma pressão. E eu não escuto nada. Nem a minha própria voz. E quando eu estou bêbada me empolgo com os assuntos. Mesmo os muito chatos. Mesmo os péssimos. Fico insistente, discuto a mesma coisa horas e horas até ninguém me aguentar mais. Aí alguém perde a paciência e me manda calar a boca porque chega a conclusão de que eu não sou tão doce, educada e gentil e não vou desconfiar enquanto alguém não me mandar parar. Acho que todos os meus amigos vão se lembrar de alguma situação assim.

 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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