Página Preta
segunda-feira, abril 29, 2002
 
The fake night

Boteco: três cervejas, geladas, ao ar livre. Três Salinas. Não, quatro! E dois bolinhos de bacalhau. Só tem um. Então um.
Seu sapato brilha.
É.
...
Vou pra casa.
Não, vamos com a gente!
Não, vou pra casa.
Então tá.
 
 
Alguém já leu "A Paixão Segundo GH" depois de terminar um namoro-quase-casamento-tipo-noivado-de-cinco-anos-de-duração-quando-cinco-anos-são-quase-a-sua-vida-inteira? Olha, é arriscado. Você pode achar que aquilo veio do além. Você pode ficar doido. Especialmente quanto você tem uma GH ao seu (mais ou menos) alcance e você pode imaginar a voz dela narrando o livro pra você enquanto lê. Pois é... Esse foi o livro mais importante da minha vida. Pelas razões mais óbvias e pelas menos óbvias também. Especialmente por causa de cada linha do que está escrito lá.
 
 
Acaba que estou, eu também, mergulhada até o pescoço em G.H. Comprei um livro, se chama “Era uma vez Eu”. Estava na livraria e de repente ela estava lá olhando diretamente nos meus olhos. Em tamanho natural. Se fosse qualquer pessoa eu já ficaria desconcertada. Mas era a Clarice. Aí eu tive que comprar o livro. É de uma moça chamada Lívia Manzo e fala da “não ficção na obra da Clarice”. Quer dizer, fala da vida dela através da obra dela. Pulei direto pra parte onde fala de quando ela escreveu “A paixão segundo GH”, que é o livro mais importante da minha vida. Dei um palpite e acertei: ela o escreveu logo depois da separação do Maury.
 
 
Psicanalista (?)

Tem coisas que são tão óbvias que eu tenho que falar!

 
sexta-feira, abril 26, 2002
 
Pois é. Diz que eu sou a rainha do BBB por causa disso aqui. Uma amiga me disse que "Custa a crer em tamanha exposição." Mas sabe o que é, se fosse pra escolher palavras eu preferia não escrever nada. Eu não penso em ninguém lendo quando escrevo. E pra falar a verdade também não me importo muito. Sei lá. Na verdade escrevo só pra mim, como um diário mesmo. Não que eu ache que a minha vida é muito interessante. Não acho que pessoas desconhecidas lêem isso aqui. Talvez por isso devesse me censurar. Mas no final eu acho que isso é bem eu mesmo. Eu não sei esconder as coisas, eu não sei ser discreta. E, principalmente pra escrever, não sei não ser sincera. Eu escrevo mesmo TUDO o que passa pela minha cabeça.
 
quarta-feira, abril 24, 2002
 
So uma coisa:

"Love's the greatest thing"... :o)
 
segunda-feira, abril 22, 2002
 


Essa prosa que me mata, esse poema-chá-das-cinco-envenenado. Este mundo em Se. Os óculos da boa amiga que ela tira pra chupar.
Essa prestação de contas tutti-frutti em caneta bic, que me fazem pensar como se falasse italiano.

E de novo esse mesmo vento de serras, a superfície de ardósia ao quadrado refletindo o sol e suando o olhar.

As linhas saindo do prumo, as letras em diagonal.

É nisso que penso Fri 1:29 p.m.

 
 


Estou olhando as nuvens de cima! Estou voando entre as nuvens. Elas ficam às vezes ao alcance das minhas mãos. Na janelinha. Vejo também a terra retalhada, recortadinha redonda, quadrada, com traços tortuosos, xadrezinha. Se eu fosse de outro planeta e estivesse chegando aqui ficaria embasbacada. Estou voando em cima das nuvens, vejo a lua do dia da metade do caminho. O sol navega na janelinha pra cima e pra baixo quando o avião se inclina. O avião cabe inteiro nas nuvens. E a lata dura das asas fica sacudindo lá fora no céu. O céu começa no chão. Eu estou no meio do caminho do céu. O céu é só caminho, é só ar, é só nunca chegar ao azul. O céu é mais cinza abaixo das nuvens.

obs.: Eu não sou retardada e já andei de avião algumas vezes. Mesmo assim pensei essas coisas.
 
sexta-feira, abril 12, 2002
 

O que é melhor?
Sentar à mesa de um bar movimentado, com garçonetes, espremedores de laranja, senhoras, mulheres, homens, gays e jovens, não necessariamente nessa ordem, talvez simultaneamente e nessa ordem, e anotar coisas numa caderneta laranja com uma expressão muito estranha...
Ou sentar no degrau de um hall acarpetado e completamente vazio de pessoas e coisas, com três portas onde não se pode passar?

 
quinta-feira, abril 11, 2002
 
Adolescência
(Oswald de Andrade)

aquele amor
nem me fale.
 
 
Ante-ontem foi igual quando me pegaram trancada no banheiro dos professores da minha escola com meu primeiro namorado. Eu tinha 14 anos e agente só tava dando uns beijinhos. O grande "upgrade" do dia foi ele desabotoar meu sutiã. Ele não viu nada, ele não pegou em nada. Mas era o máximo! Só que aí pegaram agente e eu até passei mal de nervoso e minha mãe foi na escola e a mãe dele também e ele falou um palavrão na sala do diretor e foi expulso do colégio.
E na época eu sabia que ia ser engraçado lembrar disso depois de uns anos.
 
quarta-feira, abril 10, 2002
 



Nunca mais não escrevo. E não leio nunca mais nenhuma poesia da suicida em horário comercial. Vigiem-me, porque há too many telefones tocando, idiotas rondando.
Escuto alguma coisa progressiva e Oswald me diz pra não falar daquele amor. “Qual? Aquele de que fabriquei e quebrei minha vida? A matéria prima dessa manufatura porca inglesa que é esta vida? Aquele, pelo qual morri e pari aos 18 anos?” – respondo. Não, nem te conto.
Combina tanto com essa tela psicografada de suicida que fica surreal.
Quando estou mal só não é triste em minha vida o cheiro adocicado, na medida, que tem a sua nuca.
O cheiro que tem o branco da sua pele e as linhas de traço rápido e despretensioso que compõem a sua forma. O cheiro, o híbrido de cheiro e língua que me aquieta e me diz soluções, poemas, piadas e bondade ao pé do ouvido.

 
 
Eu só sei que tremia muito. Tremia e gaguejava e falava em voz alta com meu pensamento pra ver se ele entendia. Tinha que pensar formulando frases pra tentar entender em alguns segundos o que estava acontecendo.
Pensava: “Agora ela vai perguntar se eu sou lésbica. E eu vou responder... O que é melhor eu responder? Não. Negar até a morte.”
Ela perguntou se a GH era. Eu respondi que sim. Ela disse que não sabia porque, mas já tinha sentido isso. Ela então perguntou se a GH já teve algum interesse em mim. Eu disse que não. A partir daí só pensava em me trancar no banheiro e chorar até morrer. Aí ela disse que estava aliviada de eu ter falado isso com ela porque ela já queria perguntar há algum tempo. Pensei, “é, aliviada porque me fez afirmar que eu não sou lésbica. É esse o alívio”. Depois ela me fez engolir um sanduíche de lombo de porco e eu saí de casa sem fazer xixi. E tremi durante as três ou quatro horas seguintes, até tomar uns copos de cerveja e conversar um pouco com a Minha GH.
 
 
Fui fazer mais suspense, mi-fu.



Que rótulo idiota te define como pessoa?

 
 
Mas isso foi só pra dar um suspense antes de eu contar o triste-drama de Ana A gá. Que eu ainda não sei se vou contar.
 
 
Claro, né. Fiquei muito feliz de ser A Rainha. Inda mais com esses óinho de doido cherador. A minha cara!
 
 
VoCêS gOsTaM dE LiNkIn PaRk?
Que mulher-macho da MPB você é?




 
segunda-feira, abril 08, 2002
 
Cumprindo promessa:


Dois pares de olhos geneticamente fundos, derrotados.
Dois pares que se criaram, que se fizeram escruros um com o olhar do outro.
Duas mãos tão perfeitamente parecidas na quentura que não sabem de porquês que não interessam mais. Tanta genética não vem mais ao caso. Porém, persiste e corrói. Não permite o abandono suave que deveria haver agora. Deixa a lacuna. A lacuna de dois pares de olhos que se fizeram fundos e que não se encontram mais.
 
 
Fim de semana estranho. Joguei buraco de três, perdi da Pola duvidosamente. GH só apanhou, tadinha. Fiz um bolo muito bom. Todo mundo gostou. Pola então...

Domingo arrumei um monte de coisas, cuidei das minhas plantas, do meu peixe.

É isso. Na verdade não tenho nada pra falar. Mas estou me forçando um pouquinho pra não abandonar o blog. Estou com sono, não dormi direito. Diz o Peter que quando ele dorme pouco sua nas têmporas.

É que se eu falar vira catarse. Igual ontem, com a minha GH. Chorei horrores. Mas ela é incrível...
Daqui a pouco vou acabar escrevendo alguma coisa no caderninho lanranja. Aí prometo que ponho aqui, mesmo sendo péssimo.
 
sexta-feira, abril 05, 2002
 
Se alguém for pra faculdade hoje, sexta feira, é, sexta feira, sim, eu tenho aula, porque não, eu não formei, me procura na sala de rádio do prédio novo pra uma cerveja por favor? Minha aula é de 7 às 9.
 
 
Eu eu prometo-prometido que hoje não vou alugar filme pra ter tempo de ficar aqui arrumando esse blog. Já que eu estou arrumando tudo na minha vida.

É verdade, quando eu começo a arrumar muito as coisas é sinal de que alguma coisa está mudando pra melhor.
 
 

E hoje eu já estava num dia feliz. Não sei, esse sol, eu acordei numa hora boa, sem sono, aguei minhas plantas, arrumei minha estante, brinquei com meu peixe. Coloquei uma tiara no cabelo, ele ficou bem pra trás, ficou até bonitinho, deu a sensação de vento na cara. Além disso tava um ventinho bom, sabe. Eu pus uma roupa fresca e vim pro trabalho sabendo que não ia ter nenhum stress.
Aí fui ler e-mails. E li o e-mail mais bonitinho dos útimos tempos. Do Zeez. Me dando uma força. Fiquei com um sorriso bobo na cara... E aí lembrei que tinha pensado nos meus amigos. Eu tenho uns amigos tão legais! Eles inclusive não desistem de ver meu blog mesmo quando eu fico dois meses sem atualizar. Eles são todos muito legais. De verdade. Zeez, Pola, P.S., Linus, Diguin, Peter. Vocês são foda.
 
 
Sentada à mesa no intervalo do café, sozinha com o camarada:
-...
-... (vou ter que pensar em alguma conversa)
-...
- Nossa, eu tô com tanta fome...(não, não tinha nada melhor pra falar.)
-...
- Engordei três quilos depois que entrei aqui.
- Eu engordei 15. E fumava dois cigarros por dia. Hoje fumo dois maços.
- Nossa!. (foda-se)
- Eu me lembro que também era feliz.
-...(foda-se. Agora vai começar a ladainha dramática. Tipo "meu papagaio é maníaco-depressivo mas eu sou só deprimido mesmo.")
-...
-...(agora vou ter quer inventar outra conversa...)
Olhando através da porta para o prédio vizinho, com paredes de vidro. Dentro, umas roupas penduradas e uma mulher de calça jeans daquelas que parece que você sentou em tinta fresca branca. Pensando: É, essas coisas das pessoas transarem loucamente em seus locais de trabalho que tem paredes de vidro e pessoas do prédio vizinho olhando, só acontecem em filme. Vê se alguém vai deixar as persianas abertas se não for de propósito!"
- Aquilo ali é uma loja de roupas, né?
- É sim.
-...
- Muitas coisas acontecem ali.
- é?
- é.
-... (foda-se)
-...
- Muitas mesmo.
- ahã. (com a boca cheia de pão com margarina)
- Tem um casal que trabalha lá.
- ... (foda-se)
- Lá pelas 8 da noite, dá pra ver tudo.
- Mas eles não fecham as persianas?
- Não, as vezes não.
- Que legal, heim. (foda-se, isso é a coisa mais emocionante que acontece na sua vida sexual?)
- Vai ver que eles gostam, né?
- É, devem gostar.
- Ou não. Às vezes acontece.
- Ah, só se for de propósito...

Olhando pra mim, subtamente, olhar 43 nojento:
- Vai dizer que você nunca fez uma besteira?

Eu, subtamente falando de boca cheia:
- Não, essas bobagens assim, de fazer isso com janelas abertas no meu trabalho não...
 
quinta-feira, abril 04, 2002
 
Coisa de bolacha, mas eu acho tão sexy a Cássia Eller cantando "ser teu pão ser tua comida, todo amor que houver nessa vida..."

 
quarta-feira, abril 03, 2002
 
Email muito muito antigo. Até suspirei.


>>Ana,

>

>>

>

>>

>

>>

>

>>Que coisa... louca e linda... vim pra casa na velocidade do pensamento...


>

>>cheguei bastante rápido, por sinal...

>

>>

>

>>

>

>>

>

>>Não sei mais o que dizer...

>

>>

>

>>

>

>>

>

>>Beijos

>

>>

>

>>GH
 
 
Estou em crise existencial... estou com medo do futuro... Foda... hahaha.... Ontem saí do trabalho e fui tomar um chopp com urgência. Ficamos lá, eu e a minha GH, deprê. Ela querendo o meu presente e eu querendo o futuro dela... Ela vai fazer doutorado na Alemanha, quem não ia querer? Eu, até mestrado em marketing, pensei em fazer. Mas é muita apelação. Isso porque já tinha ido tomar um café com Pola e GH no domingo e a crise era a mesma. Dessa vez da Pola.
 
 
Este blog está devagar quase parando... Mas sabe o que é? É porque quando estou triste fico cheia de coisas pra dizer mas fico pensando que assim o blog também fica muito triste. E quando estou tranquila fico sem nada pra dizer... Além de não ter tempo. E de o layout não ser muito inspirador.
E fico lendo essas coisas aqui, em horário comercial. Não é muito adequado...

"Psicografia

Tambem eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto"

Da Ana Cristina, claro. A deusa dos meus momentos deprê.


 
 
Email enigmático: será que alguém consegue me explicar?


Data: 31/03/2002 23:21
Assunto:

Janaina Assis
Shopping Diamond Mall, terça dia 02/04 as 19:00.
Vovó Bia Bar, quarta dia 03/04 as 22:00
Esperamos você!
Contato: Patrícia 9112101
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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