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sexta-feira, maio 31, 2002
 
Feriado no parque

Vi bichinhos de calda peluda, vi a Ana tentar pegar um pelo rabo e ele avançou nela. Também fizemos ioga enquanto um menino chamado Pedro, de cinco anos ficava olhando o skate do Rodrigo com cara de "eu quero". Aí resolvi empurrar o Pedro sentado no skate. Fiquei com dor na coluna. Mas o Pedro é legal. Depois andei de skate. "Andar" é bondade minha.
De noite minha amiga carioca chegou e me contou porque ela gosta tanto de mosquitos e mosquitas. E me contou também o que é uma cópula induzida de mosquitos. Não queiram saber. É cruel.
Tudo bem, eu conto... Já que tanta gente insiste...
É assim:
- Primeiro cortam a cabeça e uma asa do mosquitO. É pra ele não ter controle neurológico. Só fica com controle mecânico do corpo.
- Aí desmaiam a mosquitA. Isso é porque não podem matar, porque precisam dos ovos dela.
- Finalmente, pegam uma lupa, uma pinça, e colocam o negocim do mosquitO na mosquitA. Aí os negocins grudam e está feita a cópula.
A minha amiga carioca é mesmo MUITO má.
 
quarta-feira, maio 29, 2002
 
É que eu queria você aqui.
É que eu queria te contar umas coisas,
te dizer que estou feliz, comemorar com você.
Te mostrar a lua, o frio.
Te dizer as minhas angústias deitada no sofá da sua sala no fim do dia.
Contar como foi o meu dia.
Saber como foi o seu. Descansar mansinha no seu colo, falar
baixinho de tudo. Lembrar de repente da vontade que me deu o dia todo de te beijar e interromper uma frase sua.
 
terça-feira, maio 28, 2002
 
Ah, que economia. Vou por a letra toda aqui, porque é lindo. Mas tem que ouvir com a voz da Billie Holiday. Principalmente o primeiro verso. É de matar.


Stormy Weather
(TED KOEHLER / HAROLD ARLEN)
Don't know why
There's no sun up in the sky
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps rainin' all of the time

Life is bare
Gloom and misery everywhere
Stormy weather
Just can't get my poor self together
I'm weary all the time
All the time

So weary all of the time
When you went away
The blues stepped up and met me
If he's gone to stay
That old rocking chair's going to get me
Every night I pray
That the Lord above will let me
Walk in the sunlight once more

I can't go on
Everything I had is gone
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps rainin' all of the time

Keeps rainin' all of the time

 
 
Estou quietinha, quietinha...
 
 
Ontem a lua ficou feliz por mim.
 
 
Don't know why
There's no sun up in the sky
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps rainin' all of the time
 
 
Se você quiser eu danço com você no pó da estrada.
 
domingo, maio 26, 2002
 
Andréa era uma menina de nove anos quando Clarice a conheceu. Era filha de seu psicanalista.

"Andréa de Azulay, que é minha filha espiritual, (...) Sugetsões para escrever: você não precisa de nada, já sabe quase tudo. mas vou lhe dar umas idéias: - Não descuide da pontuação. Pontuação é a respiração da frase. Uma vírgula pode cortar o fôlego. É melhor não abusar de vírgulas. O ponto de interrogação e o de exclamação use-os quando precisar: são válidos. Cuidado com reticências: só as empregue em caso muito raro. Como depois de um suspiro. Quanto ao ponto e vírgula, ele é um osso atravessado na garganta da frase. Uma minha amiga, com quem falei a respeito da pontuação acrescentou qua ponto e vírgula é o soluço da frase. O travessão é muito bom para a gente se apoiar nele. Agora esqueça tudo o que eu disse.(...)"

 
 



"Às dez e vinte da manhã de uma sexta-feira, nove de dezembro de 1977, morreu Clarice Lispector. Nas primeiras horas daquele mesmo dia, impossibilitada de escrever, ela ainda ditava alguns trechos a sua amiga Olga Borelli:
Súbita falta de ar. Muito antes da metamorfose e meu mal-estar, eu já havia notado num quadro pintado em minha casa um começo. Eu, eu, se não me falha a memória, morrerei. É que você não sabe o quanto pesa uma pessoa que não tem força. Me dê sua mão para que nada doa tanto. (...) Lírios brancos encostados à nudez do peito. Lírios que eu vos ofereço e ao que está doendo em você. (...) Mesmo porque certas coisas - se não forem dadas - fenecem. (...) Terei de morrer senão minhas pétalas se crestariam. É por isso que me dou à morte todos os dias. Morro e renasço. Inclusive já morria a morte dos outros. (...) Meu futuro é a noite escura e eterna. Mas vibrando em elétrons, prótons, néutrons, mésons - e para mais não sei, porém, que é no perdão que eu me acho. Eu serei a impalpável substância que nem lembrança do ano anterior substância tem.

Ainda na mesma manhã, após sofrer uma hemorragia interna muito forte, Clarice levantou-se em desespero e caminhou em direção à porta, tentando deixar o quarto. Ao ser reconduzida então à sua cama por uma enfermeira, voltou-se para ela e sentenciou: 'Você matou meu personagem.' "

(Era uma vez: Eu. Lícia Manzo)
 
sábado, maio 25, 2002
 


From: Ana Fernanda (anafernanda@jedi.com.br)
Subject: E então foi Ana... Ana... Ana...

Era uma menina bonita e alegre. Igual a todas as crianças mesmo. Tinha cinco anos e já sabia pular amarelinha. Era forte e era doce.
Com cinco anos sabia da história da Cinderela. Queria se casar. Gostava que sua mãe inventasse histórias em que o personagem fosse uma menina de cinco anos. E gostava que as histórias terminassem com uma música. Com cinco anos era curiosa até falar chega. Já tinha vergonha, já sabia quando tinha feito alguma coisa errada, já sabia que podia fazer escondido e não entendia como sua mãe sempre descobria o que tinha feito.
Às vezes chateava sua mãe. Às vezes era sua mãe que a chateava. Mas ela pedia desculpas de qualquer jeito, quando queria que a mãe ficasse de bem. Não sabia que, às vezes, a mãe dela também estava errada. Ela achava que quando crescesse, ia conseguir fazer tudo certo. Que ia saber de tudo, já que a mãe respondia a tudo o que ela perguntava.
A menina crescia com respostas. Aprendia, aprendia e arranjava mais perguntas pra encontrar as respostas. A menina crescia com o corpo, surpresa com o próprio corpo e feliz de mudar. Gostava de mudar. De ver que agora era diferente de antes. Que antes pensava de um jeito e agora pensava de outro.
Quando aprendeu a escrever, com sete anos, a mãe deu a ela um diário. E o diário virou um bolo de pensamentos da menina. Uma montanha muito alta de frases, desenhos, poemas. Um grande segredo que não tinha pra onde ir, mas que inquietaria a menina se ficasse preso em sua cabeça.
Ela tinha sete anos e tantos segredos que não cabiam mais em sua cabeça. À medida que crescia, a menina tinha mais e mais segredos, mais e mais diários. E a montanha de pensamentos ia ficando muito grande. Não sabia porque, mas as coisas que escrevia ficavam muito felizes de serem escritas. Sentiam-se satisfeitas ali no papel, como se tivessem feito o que deveriam fazer.
Com 12 anos, se a espremessem igual laranja, o caldo que sairia estava escrito no diário. O diário era um suco concentrado da menina.
A menina vivia dentro dela, dentro de sua montanha de segredos. Sentia as coisas de mais pra viver no mundo. O mundo era entediante. Então ela escolheu viver dentro de sua montanha, explorando todas as trilhas dos pensamentos que registrava em letra às vezes caprichada. Tinha tudo da menina no diário. Tinha a menina mal-humorada, feliz, distraída, com preguiça, com fome, melancólica.
Vivia com suas músicas, suas danças, suas histórias. A menina vivia com seus cheiros, seus gostos, seus prazeres. Tudo o que experimentava ela buscava dentro de si. Experimentava tudo consigo mesma, seus cadernos e seus espelhos.
A menina colocou todo mundo pra fora. Dela. Nada melhor que ela. Que ficar sozinha.
Devia Ter uns 15 anos quando disse adeus ao mundo. Foi assim: ela parou de ler as histórias dos outros para ler as suas próprias. Era como se masturbar: ela sabia melhor que qualquer pessoa como devia fazer. Sabia como seria o final que gostaria mais, com que suspense se angustiaria, que dramas a emocionariam. Então pra quê outras histórias?
A menina já era grande quando começou a beijar o espelho na boca. Fechava os olhos e fingia que o espelho não era frio, plano e rígido. Fingia que conseguia envolvê-lo nos braços e que também era envolvida. E olhava no espelho os olhos se refletindo infinitamente. Olhava a textura da própria pele sem conseguir senti-la. Olhava seus lábios macios e beijava o vidro gelado e sem forma. Mas não se entediava. Achava pior ter outra pessoa pra beijar e ter que falar, explicar-se, se fazer compreender e compreender.
Um dia Ana trombou em alguém. Caiu, olhou pra trás e se apaixonou.
 
sexta-feira, maio 24, 2002
 
Ontem fiquei lendo sobre a morte da Clarice... Fiquei com medo de dormir... Ela disse que iria morrer de câncer não sei quantas vezes. Tudo bem, todo mundo pode falar que vai morrer de câncer e realmente morrer de câncer. Mas não foi você que viu a Clarice com aquele olhar dela, com aquela boca absolutamente séria e dura, fumando, dizer que estava morta. Que estava falando com ele (o entrevistador) de dentro do túmulo dela. Você ia ficar com medo. Eu fiquei. E não vejo filme de terror porque se não é impossível dormir de noite. Algum problema?
 
 
Fiquei muito puta ontem. Estou ficando revoltada com demonstrações de homofobia. Foda. O camarada ficou falando que o André do Big Brother era gay por falta de "porrada". "Eu não tenho sexo! ahahahah... Vou te mostrar o sexo, viadinho filho da puta." Tudo bem que essa história que "eu não tenho sexo" é meio nada a ver. Mas deixa o cara, ué. Deixa ele se definir como quiser!
Isso é um ambiente de trabalho. Com um camarada que, a cada cinco palavras que fala, 4 são algum sinônimo de mulher e uma é algum sinônimo de trepar.

Foi mal. Mas tinha que expressar a minha revolta...
 
 
Cortei o cabelo! Estou feliz! Fico feliz quando corto o cabelo. E adoro dias frios e ensolarados.
 
quinta-feira, maio 23, 2002
 
Aqui,
(olhando o escuro projetado no teto, os faróis multiplicando e distorcendo a janela de onde você fuma),
eu te amo.
 
 

GH:
"Ainda bem que eu penso.
Porque mesmo que voce se
esqueça, eu me lembro.
(!?)
é que eu me lembro sempre.
de voce inclusive. o negocim
aí de cima quer dizer que,
mesmo que você se esqueça
até de você, eu me lembro.
(é foda quando a gente
tem de explicar o que
escreve...)"
 
quarta-feira, maio 22, 2002
 
Não estou conseguindo ver o blog desde ontem. Será que é só o meu?
 
segunda-feira, maio 20, 2002
 
e já que peguei o embalo e que eu adoro essa música mais que quase tudo e que tem tudo a ver...


BLUE MOON

 
Blue moon, you saw me standin' alone

Without a dream in my heart, without a love of my own

Blue moon, you knew just what I was there for

You heard me sayin' a prayer for

Someone I really could care for



And then there suddenly appeared before me

The only one my arms will hold

I heard somebody whisper "please adore me"

And when I looked, the moon had turned to gold



Blue moon, now I'm no longer alone

Without a dream in my heart

Without a love of my own




And then there suddenly appeared before me

The only one my arms will ever hold

I heard somebody whisper "please adore me"

And when I looked, the moon had turned to gold



Blue moon, now I'm no longer alone

Without a dream in my heart

Without a love of my own



Blue moon, now I'm no longer alone

Without a dream in my heart

Without a love of my own
 
 
Vi o "Talentoso Ripley". Que filme esquisito. Fiquei neurada.
O que mais gostei do filme foi:



"My Funny Valentine"



My funny Valentine

Sweet comic Valentine

You make me smile with my heart

Your looks are laughable

Unphotographable

Yet you're my favourite work of art



Is your figure less than Greek

Is your mouth a little weak

When you open it to speak

Are you smart?



But don't change a hair for me

Not if you care for me

Stay little Valentine stay

Each day is Valentine's day



Is your figure less than Greek

Is your mouth a little weak

When you open it to speak

Are you smart?



But don't you change one hair for me

Not if you care for me

Stay little Valentine stay

Each day is Valentine's day



 
 
Fim de semana fim de caso descaso fim de sempre, desfesta, desconversa.

Começo, pra celebrar como o outro começo, pra comemorar e anotar no caderno verde. Pra manter o simples. Cuidar, olhar pra você e esquecer o resto.

Começo de me espantar com seu cheiro. Começo sem entusiasmo, sem pessimismo. (agora passou ali fora uma borboleta amarela muito pequena e eu estou ouvindo "canção pra você viver mais")

Estou precisando começar a viver de novo. E fim.
 
quinta-feira, maio 16, 2002
 
Foi só aqui que o resultado do teste ficou ilegível? Bom, eu sou "the walrus". I AM THE WALRUS!!!!!!!!!!!!!
 
 
E não resisti ao teste



which beatles song are you?
this quiz was made by janel
 
 

Adorei isso.

  5:17 PM 0 comments
 
E agora eu tenho um cadernim "verde neon". É bonito. E as folhas são verdes. E não têm pautas. Acho que a minha letra não sabe lidar com a liberdade. Fica horrorosa, subindo montanhas e cada uma de um tamanho.
  5:15 PM 0 comments
quarta-feira, maio 15, 2002
 
acabou o cadernim laranja...
  12:57 PM 0 comments
 
feliz serve pra que?
  12:56 PM 0 comments
terça-feira, maio 14, 2002
 


  10:20 PM 0 comments
 
Quem já me viu ter calma pra alguma coisa? Eu não. Desde que eu me entendo por gente eu nunca consegui ter calma ficando quieta. Eu não aguento a hora de esperar. Eu preciso fazer alguma coisa, eu preciso fazer acontecer alguma coisa. O resultado é que a minha vida vira um monstro correndo atrás de mim. Um furacão. Eu cutuco a fera e depois saio correndo desesperada me perguntando o que eu fiz...


  10:09 PM 0 comments
 
Esses são os posts não postados ontem por falta de tempo:


Ontem fiquei num mau-humor incrível. Deve ter sido o dia das mães. Os meus são assim, meio chatos. estou achando que vou ter que me declarar uma pessoa que não gosta de dia das mães, assim como fiz com o meu aniversário e com a passagem de ano.
Mas é que as minhas experiências não são muito boas... O primeiro (como mãe) foi ótimo. Ganhei um presente lindo, uma camiseta com uma foto da minha filha que é linda, tinha meu bebezinho e achava que ia casar. Quase que literalmente, padeci no paraíso. O segundo foi um desastre. Ela ainda não entendia direito essa história, mal fui lembrada pelos outros e ela levou um tombo e quebrou o dentinho da frente. Passei o domingo atrás de um dentista que a atendesse e ouvindo ela chorar muito de dor. Os outros foram normais. Mas agora ela já entende e é muito legal vê-la toda feliz em me presentear... Muito legal mesmo...

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Vou ter uma gata chamda Rita, uma chamada Ana, uma chamada Estela e uma chamda Clara. Isso porque eu não posso ter mais quatro filhas.

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Já pensou se o primeiro amor da sua vida fosse uma menina chamada Izolânia? É o livro infanto-juvenil de um amigo meu. Achei muito legal. Existe algum bicho mais ultra-irremediávelmente apaixonado que um adolescente?
  1:06 PM 0 comments
quinta-feira, maio 09, 2002
 
E se eu ficasse aqui escrevendo o tempo todo pra sempre?
A música parou. Ante-ontem fiquei gargalhando nervoso e achando isso muito esquisito. Dizem que os lixeiros são felizes porque fazem exercícios físicos. Porque sempre que eu converso por meios eletrônicos com alguém e digo que quero falar ao vivo essa pessoa fala: "mas o quê que foi?"
Emagreci. Estava com 53,3. Agora tenho 51,6. Uma hora é a família, outra é um amigo, outra é ela. Sempre eu. Daqui a pouco a falta de cafeína, o excesso de trabalho. Então, Ana. Porquê você não escreve?
De 10 às 11. Pronta pra dormir. Segunda, quarta e quinta. Sexta também, porquê não? E dorme às 11 e acorda às 7. Faça as contas. São 8 horas. Senta lá e fica. Até ter alguma coisa.
E se eu ficasse aqui escrevendo o tempo todo pra sempre?
A música parou. Ante-ontem fiquei gargalhando nervoso e achando isso muito esquisito. Dizem que os lixeiros são felizes porque fazem exercícios físicos. Porque sempre que eu converso por meios eletrônicos com alguém e digo que quero falar ao vivo essa pessoa fala: "mas o quê que foi?"
Emagreci. Estava com 53,3. Agora tenho 51,6. Uma hora é a família, outra é um amigo, outra é ela. Sempre eu. Daqui a pouco a falta de cafeína, o excesso de trabalho. Então, Ana. Porquê você não escreve?
De 10 às 11. Pronta pra dormir. Segunda, quarta e quinta. Sexta também, porquê não? E dorme às 11 e acorda às 7. Faça as contas. São 8 horas. Senta lá e fica. Até ter alguma coisa.E se eu ficasse aqui escrevendo o tempo todo pra sempre?
A música parou. Ante-ontem fiquei gargalhando nervoso e achando isso muito esquisito. Dizem que os lixeiros são felizes porque fazem exercícios físicos. Porque sempre que eu converso por meios eletrônicos com alguém e digo que quero falar ao vivo essa pessoa fala: "mas o quê que foi?"
Emagreci. Estava com 53,3. Agora tenho 51,6. Uma hora é a família, outra é um amigo, outra é ela. Sempre eu. Daqui a pouco a falta de cafeína, o excesso de trabalho. Então, Ana. Porquê você não escreve?
De 10 às 11. Pronta pra dormir. Segunda, quarta e quinta. Sexta também, porquê não? E dorme às 11 e acorda às 7. Faça as contas. São 8 horas. Senta lá e fica. Até ter alguma coisa.
Chega.
  2:18 PM 0 comments
 
Diz que eu tenho mania de achar que sei o que os outros estão pensando. Tenho mesmo, né. Isso é péssimo, né. Mas às vezes eu sei mesmo.
  2:04 PM 0 comments
 
U 2 na maior altura, no trabalho, na tpm. Eu vou gritar.
  2:02 PM 0 comments
terça-feira, maio 07, 2002
 
Esses posts estão imensos, né.
Fim de semanda de muito trabalho. Nem parecia fim de semana. A não ser pelo japonês, que tava muito bom. Depois fui parada numa blitz e o cara me deu o maior sermão porque eu tava sem o seguro obrigatório. Foi isso... Acabou.... Que tédio...
O Nariz vai voltar. Quer dizer, voltou.
  12:38 PM 0 comments
segunda-feira, maio 06, 2002
 
Não sei se devia pôr isso aqui. Acho que não tem problema. Se tiver, me fala que eu tiro logo.
Eu e GH escrevemos "juntas" há muito tempo. Ela escreveu 90% e eu 10%. Eu gostei.




A Bailarina e a Poetisa
Não que fosse um ser feito de nuvens, mas quem a olhasse com atenção veria um céu azul intenso num fim de tarde. As estrelas já despontavam no seu olhar de olhos muito grandes – não sei se assustados ou sedentos por incertezas – só sei que tinha olhos grandes. Maiores que oceanos; mais profundos que abismos ou buracos negros. Porque aqueles grandes olhos maiores que tudo eram a própria alma da menina.
E, disfarçada como toda boa menina, esta tinha o mais belo dos disfarces e caminhava o seu andar flutuante com medo de sujar suas sapatilhas: é que era uma Bailarina.
Bailarinas sentem muito, coitadas... São maravilhosamente bonitinhas, mas têm o esqueleto de aço. E carregam meio mundo sobre ele, mas continuam sorrindo. São florzinhas eternamente felizes.
Essa nossa Bailarina era a mais suave entre todas as bailarinas do mundo inteiro. E alma tão suave não passa nunca despercebida, principalmente para uma Poetisa.
A Bailarina vinha sorrindo, caminhando no seu silêncio, muito feliz da vida, até que parou e ficou com uma cara que não sei não... E aquela cara parada, linda, uma lua no meio da praça, era um grande susto ao perceber aqueles dois olhos e muitas interrogações a lhe olhar.
A Poetisa era também uma menina. E flutuava com os pés descalços pela praça. Sua pele era tão alva que parecia feita de papel. E ela era toda interrogações, reticências e mudos dois pontos. Seus olhos, maiores que os da bailarina, eram do tamanho de suas angústias.. Mas angústias bem vindas, como as de qualquer poetisa. Sabia deixar as coisas doerem, enquanto a bailarina só conseguia sorrir, enquanto rodopiava desesperada sobre suas pontas de gesso.
Olharam-se os olhos grandes e fundos. Sem querer escapar. E, a medida que andavam em direção uma da outra, afundavam mais dentro dos outros olhos. Sorriam muito. A Bailarina, que por um instante havia perdido a expressão contente de dor (havia se acostumado a esticar os lábios sempre que sofria), agora sorria muito suave, como se ao invés de tencionar os músculos de seu rosto estivesse relaxando-os. Sem perceber descera da ponta e agora andava desengonçada com seus pés de gesso aliviados.
A Poetisa, que tinha lindos lábios mesmo quando estava triste, sorria então com olhos de menina, e a boca doía da sincera falta de tristeza .
Cairam as meninas encantadas com a beleza que as meninas têm. A Bailarina fechou os olhos devagar, para sentir o vulto que passava por ela. A Poetisa ficou vermelha e nervosa, mas não pode deixar de se atrever a segurar a mão daquela de corpo doído por um pequeno momento. Sentindo o toque morno a Bailarina sorriu mais um pouco, sem perceber que havia deixado cair a pequena margarida que segurava.
  2:37 PM 0 comments
 



From: Ana Fernanda anafernanda@jedi.com.br

To: Carlos carlosquemsabe@bol.com.br br>
Subject: pra você, pra mim. Pro dia que der. Pra ler quando puder.

Date: Thu, 29 Aug 2001 11:27:45


Dois pares de olhos geneticamente fundos, derrotados. Que se criaram, que se fizeram escuros um com o olhar do outro.
Duas mãos tão perfeitamente parecidas na quentura que não sabem de porquês que não interessam mais. Tanta genética não vem mais ao caso. Porém, persiste. Não permite o abandono suave que deveria haver. Deixa a lacuna. A lacuna de dois pares de olhos que se fizeram fundos e que não se encontram mais.

Dois pares de olhos, flutuando como no escuro, quase sem corpos, no meio da sala. Os olhos tão parecidos que não deixam mais de encontrar semelhanças. Cada um dói mais o sem-lugar da situação.

Dois pares de mãos que se encontram mesmo longe, com os olhares nas próprias mãos achando o outro em si mesmo. Correndo, correndo, e carregando o inimigo consigo. Trazendo a dinamite que explode onde quer que um dos dois estejam. O veneno é um só. Os corpos são um só.

Tinha medo. Sempre teve, desde miúda. Deitava-se e imaginava fantasmas, monstros e insetos se aproximando de sua cama. Subindo pela madeira. Desconfiava do lençol de algodão com desenhos de nuvens coloridas. Mas o tato quase maternal do tecido, poído em seu corpo podia se transformar em uma barata húmida e brilhante.
Chamava o pai. Voz grave, mãos quentes. Gostava de dormir ninada por sua respiração. Ele cantava mas, as vezes, ela não dormia. Ele se movia lentamente na intenção de deixá-la. Ela dizia: “Fica mais um pouquinho...”, ele ficava.
Cresceu. O mesmo lençol cobria o corpo que não era o mesmo. Mas ainda tinha medo dos fantasmas mais elaborados de sua mente, de noites mais geniosas. Um vez ela não aguentou e o chamou. Não pediu, mas ele cantou. Fechou os olhos e a noite continuava aflita dentro dela. Dor de crescimento, coisa de menina. Ele, quis abraçá-la, mas se lembrou que ela tinha seios. Então fechou também os olhos, procurou esquecer e continuou a cantar: “É tão tarde, a manhã já vem...”
  2:35 PM 0 comments
sexta-feira, maio 03, 2002
 
E anteontem eu entrei no blog de uma menina aí através do blog da D. Paula. Tinha um texto e uns 8 comentários babando o ovo. Aí eu disse que era tudo uma grande besteira o que ela tinha escrito e que ia argumentar no meu blog. E agora o blog da D. Paula tá dando pau aqui e eu não consigo entrar no site da menina de novo....
  1:55 PM 0 comments
 
Essa música aí é simplesmente tudo o que eu estou sentindo agora. Se é que isso é da conta de alguém. (dã, claro que não é. Mas como diz a Clarah, o blog é meu, é egocêntrico, eu só falo do meu próprio humbigo e a barra de endereço é serventia da casa.)
  1:52 PM 0 comments
quinta-feira, maio 02, 2002
 
Não
Não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão
Sustenta a vida real

Cordas de uma orquestra
Sombras de um artista
Palcos de um planeta
E as dançarinas no grande final

Chove tanta flor
Que, sem refletir
Um ardoroso espectador
Vira colibri

Qual
Não sei se é nova ilusão
Se após o salto mortal
Existe outra encarnação

Membros de um elenco
Malas de um destino
Partes de uma orquestra
Duas meninas no imenso vagão

Negro refletor
Flores de organdi
E o grito do homem voador
Ao cair em si

Não sei se é vida real
Um invisível cordão
Após o salto mortal



O circo místico
Edu Lobo - Chico Buarque/1982
Para o balé O grande circo místico
  5:47 PM 0 comments
 
O grito do homem voador ao cair em si

As coisas vão indo e eu fico pra tráz. Às vezes só queria ficar pra tráz de um trem de ferro, em uma estrada empoeirada, completamente só. Às vezes em Paris, Texas.
Às vezes, só queria precisar de água fresca, de respirar e de ver coisas bonitas.
E só queria olhar em volta e ver o lugar onde eu devia estar. Sentir coisas que não fosse buracos, não fossem vazios, lacunas.
Queria sentir o sol, o vento, a água, a sede, o tempo. Queria sentir cansaço, meus músculos, pulmões, minha barriga cheia, meus pés fortes.
Quem sabe ser menos subjetiva, mental, sentimental. Ser plena no corpo, que já é muita coisa.
Sinto falta. E o que é falta se não um não sentir alguma coisa?
Me falta a infância, o mar, o calor. O cheiro da minha mãe.
Me falta um lugar qualquer, um vento qualquer, um objeto que não sei o que é.
Me falta sentir. Me falta viver. Corro todos os riscos. E, ainda assim, me falta morrer.


  5:47 PM 0 comments
 
Escrevi uma coisa muito dramática. Não se assustem, amigos, tá tudo bem. Só que eu desconfio que tá péssimo, de verdade. Só que, como já perdi mesmo todo o pudor, vou colocar aqui assim mesmo. (Alguém já percebeu quando uma pessoa tem que escrever seguindo um raciocínio e argumentando em uma discução e escreve "só que" no começo de tudo quanto é frase?)

  5:45 PM 0 comments
 
Como não precisa economizar bits vou colocar um conto aqui que gostei muito. Achei lá no "Balaio de Textos" do Espaço Literário Sesc.



AS SOFIAS


Sofia acordou cedo, rapidinha com o que já conhecia há anos: saltar da cama, fazer xixi, lavar o rosto, escovar os dentes e só aí, tomar banho. Dois banhos frios. Rapidinha talvez não fosse o termo, mas treinada. Ensinada pelo hábito e, claro, pelo prazer de fazer as mesmas coisas, do mesmo jeito, sempre. Nunca precisou de nada diferente, passou a vida como se o dia não mudasse de dia, 24 horas cíclicas, as mesmas 24 horas que viveu quando pequena, na adolescência, na lua cheia. Para garantir-se, fechava as janelas, não tinha telefone, não assistia televisão, não mantinha contato com seres vivos - nem de estimação.
Escolheu que tinha 30 anos - não lembra quando, mas parece que foi aos 10. E gostava de olhar no espelho e pensar: que idade tem meu corpo? E como a moça do espelho, cúmplice, não respondia, as duas faziam as contas e mais ou menos sabiam a idade que o corpo tinha. Adorava aquela brincadeira e a última vez tomou um susto: estava passando dos 60. De lá pra cá, ficou mais naquela de contar só o tempo que fazia que não tentava descobrir o tempo do corpo. Quase dava na mesma, mas não dava - ela não somava as duas coisas, por via das dúvidas. Passou então a ter mais o que fazer: quanto tempo tem que contei quanto tempo tinha que eu não contava o tempo?
Falar com ela mesma era sua paixão. Começou devagar, numa coisa mansinha de gente que mora mais dentro da pele do que fora.
- Vamos brincar, Sofia? - perguntava o reflexo no espelho.
- Ah, não, agora quero sonhar.
- Me leva, Sofia?
- Só se essa Sofia que você é for mais forte que essa Sofia que nasceu hoje.
- Sou a Sofia que você gosta... - o rosto triste, preso dentro da moldura.
- Não, minhas outras Sofias podem se zangar ouvindo isso. Nunca mais diga que é a preferida!
- Mas você me vestiu de azul... Não veste de azul todas as Sofias do dia? Sou a Sofia de hoje.
- Sempre visto de azul a Sofia que mamãe gosta - a predileta. As outras, andam nuas pela casa... sem nenhuma fatia de amor.
- O que faz essa Sofia, de rosa, ao lado do pai?
- Chora, em meu lugar, a morte de sua mãe.
- Tem uma Sofia adulta, sozinha no quarto escuro.
- Ela enterrou hoje algumas Sofias, junto com seu pai. Só ficaram as grandes, de peito e menstruadas. Você também vai ter que ir embora.
Foi nesse dia que decidiu-se sobre a questão do relacionar-se. Elegeu os móveis preferidos e intensificou o elo que mantinha com eles. O sofá, gordo, paninho floral, nunca foi reformado, por exemplo. Não podia mudá-lo, sabia de suas dores íntimas, de seus furos e da história de cada um deles. A mancha maior e escura, no encosto, veio do chá do pai, num dia de tremores maiores - no fim de seus dias, o chá era tomado em colheres, por outras mãos. A mesa da sala de jantar fazia parte de seu passado curricular, riscada pela força dramática do lápis contra exercícios e mais exercícios de matemática. E era símbolo de algumas vitórias. Na mesa, a Sofia de azul com os pais.
- Posso levantar agora? - olhos redondos no redondo do prato.
- Come mais, você ainda não comeu nada...
- Posso? Quero ir no banheiro... - unhas miúdas fazendo coração no verniz do coração da mesa.
- A gente vai ao banheiro e não montada nele. Já falei que o seu português anda horrível?
- Meu intestino também... - ponta da faca desenhando um diabinho.
- Come. Senão não vai crescer, nem ficar bonita e nem vai ter perna grossa...
- Eu vou ficar anã, feia, magra e muito fedida, se não for ao banheiro.
Primeira surra, ainda na mesa. Todas as Sofias apanharam. Mesmo depois de adulta, quando pensava naquilo, partes do seu corpo ardiam como arderam na época. Mas teve tempo de arquitetar a sua vingança. Todo dia era a mesma coisa - estômago pequeno, torcido e medroso, comida gigante saindo das travessas aos gritos e avançando sobre elas com bafo de cebola. Na mesa, a Sofia de rosa com os pais.
- Come só mais um pouquinho...
- Tô sentindo mal.
- Eu vou acabar perdendo a paciência com você, Sofia.
- Meu estômago tá doendo...
- Mais coisas vão doer em você se não terminar de comer.
- Acho que estou doente...
- Come, agora!!
Enquanto engolia, sabia que tinha chegado o grande dia, principalmente com a importante visita de padre Antônio para o almoço. Empurrou tudo, bem empurrado. Sem mastigar, sem sentir o gosto de nada, garfada após garfada, num ritmo acelerado. Finalmente, terminou. E feliz, ainda na mesa, sentadinha, vomitou tudo de volta, dentro do prato.
- Preciso comer isso de novo, mamãe? - o anjo questiona o diabo.
Foi magra todos os dias, em nenhum deles tornou-se fiel depositária de um grama de gordura sequer. Com simpática cautela, afastou qualquer coisa doce de sua vida, nunca se permitiu chocolates ou beijos. Broas ou banhos quentes. Ambrosia ou roupas macias. Fazia enormes pudins de leite e os deixava na cristaleira. Lá eles ficavam até serem substituídos por outros e mais outros e mais outros. Gostava de fazer pudins. Gostava de deixá-los lá, como obras de arte, intactos. Gostava do cheiro dos pudins quando estragavam, cheiravam a vitória - dela contra o macio, o mole, o derretido, o frágil, o bonito mas perecível. Nunca cedia ao encanto trêmulo das carnes dos pudins, mas desconfiava que alguma Sofia se deliciava com eles, roubando na noite o que o dia proibia.
- Pudim, Sofia? - o espelho de novo.
- Não, obrigada, estou sem fome.
- Come... ou outras Sofias comerão.
- Nenhuma Sofia gosta de pudins, nem mesmo a Sofia de azul.
- A Sofia de azul morreu, você a matou.
- Ela matou minha mãe.
- Não foi a Sofia de rosa que matou mamãe?
- As justiceiras sempre se vestem de rosa. Mesmo que estejam de azul.
- Coma o pudim, Sofia.
- Com papai foi diferente. Coração fraco. Naquele dia, eu nem estava aqui.
- Mas a Sofia de azul estava...
- Não vou comer pudim. Ele está aí para estragar, para não ser comido.
- Como nós, Sofia? Somos como esses malditos pudins que estragam sem ninguém tocá-los, não é?
- Você não devia ter dito isto.
E mais uma Sofia morreu naquele dia.
- Quanto tempo tem que não conto o tempo?
A pergunta ficou sem resposta, não havia mais Sofias para responder.
Ela balançou os ombros, sabia que aquele era um dia especial. Finalmente estava livre do dúbio, do dueto desvantajoso, da eterna vigília de não deixar ninguém magoar nenhuma Sofia.
Acordou cedo, rapidinha com o que já conhecia há anos: saltar da cama, fazer xixi, lavar o rosto, escovar os dentes e só aí, tomar banho. Um banho frio.
Penteou os cabelos, vestiu a roupa rosa, fez as malas e desceu a escada.
Olhou os cômodos, despediu-se de todos da casa. No amigo antigo, gordo, de um só lugar, colocou as jóias que tinha escolhido para que ele tivesse uma velhice boa, reformado. Comeu todo o pudim da cristaleira, o último dos caramelados. Na mesa, deixou o prato sujo de vômito, que guardou por mais de 60 anos.
Abriu a porta da rua e saiu levando a mala, cega pela claridade e com a boca doce.
Na casa, encontraram uma velha de 70 anos, Sofia Maria, morta, aparentemente envenenada. Ela vestia uma roupa azul, portava todos os documentos e tinha no bolso da saia um testamento onde deixava todos os seus bens para sua irmã gêmea, Maria Sofia.




Lou Bertoni

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A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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