Página Preta
terça-feira, agosto 27, 2002
 
Como todos andam falando da nova gatinha...

Lory tem duas mães, dois pais e alguns sobrenomes que se revesam: Lory Lambe, Lory Lou, Lory Lay. É uma gatinha aliterada.

Agora vê, coitada, se ia se chamar "Sacaroula", como queria o Linus! Eu só ia chamá-la "Sacarrolha".

E agora GH também tem criança em casa. Eu ligo pra ela e de vez em quando ela solta um grito, me larga na linha e vai acudir Lory gangorrando no ficus. Já vi essa cena antes...
 
segunda-feira, agosto 26, 2002
 

Assunto : A gosto
Data : Mon, 26 Aug 2002 04:50:51 -0300


tem gente que perde
o gosto
só de pensar que é agosto
e de repente
agosto acabou.

(Provérbio das Freiras Lésbicas do Monte Fuji)

pois é, meu amor. o meu agosto acabou mesmo... e tomara que eu não esteja cantando vitória antes do tempo... mas acho que acabou mesmo.

só que meu agosto deixou uma tristeza aqui comigo. por não poder estar com você num dia tão especial. por eu ter chorado de saudade na hora de dormir. por eu te amar muito, mas ouvir sua voz triste.

mas agosto também deixou coisas muito boas... resolvi "as coisas lá"... vi o pessoal lá de casa... achei cento e quarenta reais (impressionante...) e ganhei uma gata lindinha. acho que você já sabe. eu é que ainda não sei o nome dela, mas acho que ela tem cara de Lola.

E, não é trocadilho, ela adorou o mouse... Fica puxando o fio com o rabinho balançando, com cara de menina arteira.

E o seu agosto, como anda?

É isso. Tô com muita muita saudade e eu te amo muito-muito.
Muitos milhões de milhares de beijos.
GH.









 
 





 
sexta-feira, agosto 23, 2002
 
Um dia agosto bateu mais forte. Choveu granizo em agosto. Nos olhamos perdidas: o que fazer, se pra nós tudo já é agosto? E se vivemos apesar dos meses e tempos que passam? Não podemos ignorar, quando granizo nos cai sobre as cabeças.
Em agosto nos perdemos dos olhos, procuramos abrigo em marquises e nunca mais achamos o caminho de casa.
 
quinta-feira, agosto 22, 2002
 
Às vezes aparecem anjos. Mas anjos seduzem?
 
 
Parece que agosto reservou a ralação para o final... Bom, pelo menos agente fica na esperança de que o mês passe logo.

 
 
Atenção
Essa vida contém cenas explícitas de tédio nos intervalos da emoção.

 
domingo, agosto 18, 2002
 
Hoje ganhei um beijo assim:





 
 
Quase morri naquela selva do salao do livro hoje. Foi: Mae me da esse livro?Mae me da esse livro?Mae me da esse livro?Mae me da esse livro?
E o pior e que o criterio nao e dos melhores. Primeiro vem os livros de princesa. Depois os de capa cor de rosa. Depois os de capa azul. Resultado, dei uma de mae ditadora, escolhi e comprei a contra gosto da pequena, mas tenho certesa de que depois ela vai gostar. Ah! Ainda teve a parte em que a ilustradora do livro, mae de um amigo, foi dar um recadim no livro e a pequena chegou pra mim em alto e bom som: - Mae, eu nao quero esse, quero aquele outro!

Ah, e eu vi uma mothern! Mas nem me apresentei, fiquei so olhando com uma cara de quem estava reconhecendo a pessoa, e tentanto fazer minha singela cria parar de buzinar com um livrinho sonoro. Achei que ia ser esquisito dizer: - Oi, eu sou Ana H.

Alias, os livros estao virando coisas estranhas. Brinquedos, dobraduras, musiquinhas, barulhos, buzinas, carinhas peludinhas... Assim fica dificil depois as criancas criarem o habito de sentar e ler um livro sem achar chato.
 
 
Recadins

Bom, primeiro tenho de expressar a minha raiva por nao escrever na mesma lingua que o meu teclado. A dele e a inglesa. E como o portugues dele e muito ruim, escrevo sem acento.

Segundo, e so pra dizer que eu nao sou a Milly Lacombe!!! Ela e a colunista da revista TPM e escreve a Coluna do Meio.

Terceiro, e dizer que esse texto me fez pensar sobre as minhas atitudes. Como pode ser decisivo nao perder tempo e dar a chance a alguem de viver coisas boas com voce. Ou de te compreender.
 
sexta-feira, agosto 09, 2002
 
Aliás, falar em coluna do meio, morri de chorar lendo "O homem que não bebia água". Totalmente pessoal, coisas de identificação mesmo. E o pior é que eu estava no trabalho... Vou até postar o texto.

"O homem que não bebia água

Faz dois anos que meu pai morreu. Dois anos sem meu companheiro e amigão. Dois anos sem ouvir suas bem sacadas tiradas, as sempre oportunas citações a Oscar Wilde, Eça ou Machado. Dois anos sem ter para quem ligar quando o Fluminense ganha ou, como tem sido mais freqüente, é derrotado. E eu, que nunca havia sentido o baque de perder alguém, estou ainda me ajustando à vida sem norte.
Meu pai, meu porto seguro, era um homem diferente. Entendia absolutamente nada de consertos domésticos, de carros, de máquinas. Nunca usou um computador, dava-se muito mal com o telefone, não via nexo em celulares porque dizia que só faria sentido pagar para não ser encontrado, não conseguia passar fax e nunca dirigiu, ainda que, no final da década de 80, tenha sigilosamente se matriculado em uma auto-escola -- aulas sumariamente encerradas quando foi flagrado por minha irmã subindo com as rodas na calçada ao fazer uma curva. Desde então, sempre que saía comigo, não conseguia deixar de elogiar minha incrível habilidade para fazer curvas sem colocar em risco a vida de pedestres.
O verão e o inferno
Meu pai jurava que nunca havia bebido água – e, verdade seja dita, nunca foi visto ingerindo algo que não fosse tanjal, tônica ou vinho. Sempre que me via com um copo d'água na mão perguntava por que eu insistia em beber aquele líquido sem cor, sem cheiro e sem gosto se havia tantas outras opções no mercado. Usava terno com colete no inverno e sem colete no verão. O chapéu servia para proteger a careca do frio, o suspensório para segurar a calça, que, empurrada para baixo pela barriga cada dia maior, teimava em cair, e, quando quebrou a perna, incluiu uma bengala para compor o visual de jornalista do começo do século.
Meu pai, jornalista por vocação e advogado por formação, dizia que deixou de advogar por não acreditar na justiça e alegava que se mudou do Rio, onde nascemos, porque a cidade tem apenas duas estações: o verão, em julho, e o inferno, no resto do ano. Meu pai foi embora cedo demais porque fingia ignorar que o ser humano vive de corpo e mente. Vivia exclusivamente de sua cabeça e utilizava o corpo apenas para conduzi-la ao Jóquei-clube, onde podia ser encontrado quando não estava em casa, lendo ou escrevendo.
Se fecho os olhos, consigo sentir com assustadora perfeição sua mão, grossa, grande e firme, segurando a minha para atravessar a rua. Às vezes, preferia me pegar pela nuca para dizer, “gatinho a gente segura por aqui”. Fazia questão de declarar, com um tipo de segurança que só os pais parecem ter, que eu era o orgu-lho dele, que eu era linda, que eu era genial. Deixava bilhetes para mim (datilografados em sua velha IBM porque estava convencido de que não sabia mais escrever à mão) e assinava, sempre, “beijos do pai coruja”.
Juntos, íamos ao Maracanã em dia de Fla-Flu, ao Morumbi quando o jogo era bom, passeávamos pelo centro velho de São Paulo, falávamos de política, de seleção, de olimpíadas. Dele, eu tenho os olhos, o amor pelo Fluminense, a mania de usar ponto-e-vírgula (“porque muitas vezes é melhor que traço e poucos sabem usar”, dizia), a paixão pela arte de escrever e o hábito de arrumar metodicamente a comida no prato para que o melhor fique por último. Com ele, aprendi a gostar de ler quando ele lia Monteiro Lobato para me fazer dormir, a passar manteiga na bolacha cream cracker e, antes de comer, levá-la ao forno por dez minutos e a imediatamente e incondicionalmente admirar qualquer um que torça pelo Fluminense.
Meu pai, evidentemente, assim como qualquer outro, tinha um milhão de defeitos. Só não posso citá-los porque descobri que, quando alguém tão querido morre, enterra-se com o corpo toda e qualquer imperfeição d'alma. Mas, se me fosse dada a tão preciosa chance de dizer mais uma coisa para ele, uma só, eu diria obrigada. Obrigada por ter me acolhido, por ter me amado incondicionalmente, por ter lido para me fazer dormir, por ter me apresentado o Maracanã, por ter me ajudado a atravessar a rua, por ter me entendido mesmo quando eu não me entendia, por fingir dar bola para minhas neuroses, por me ensinar a comer lagarto com mango chutney, por ter aceitado a Tati, minha mulher, como parte da família. Agora, se pudesse dizer duas coisas, diria que o Fluminense ganhou do Vasco no domingo. De virada, no finalzinho. Como nos velhos tempos."
Milly Lacombe
 
 
Pois é, esse negócio de femilinidade. Eu acho que a maternidade é um símbolo sim, na cabeça das pessoas. Mas é na cabeça das pessoas. Na prática, é um amor muito grande, é uma dedicação muito grande e é uma felicidade muito grande pra ter sexo. Não acho contraditório, acho muito distante, até, uma coisa da outra. Gera consequências, é claro, quando a mãe é lésbica. Mas não é antagônico o que eu sinto não.
Outro dia tava lendo a "Coluna do Meio" da TPM e a Milly Lacombe estava questionando com sua mulher a possibilidade de ter filhos e todos os contras da situação. Acho, principalmente, que essas milhões de neuras que agente tem, provavelmente as crianças se darão muito melhor com elas. Minha única ressalva na questão é que criança precisa de pai e mãe. Não necessáriamente pai e mãe "modelo". Mas até exemplos de diversidade, de possiblidades.
 
 
Eu tinha uma coisa engraçada pra dizer mas é claro que eu não me lembro o que é.

 
 
E mesmo ela saindo na frente e colocando o poema antes de mim, não vou deixar meu bloguinho sem ele...

AS DUAS UMA

Ângela Melim
(Para Ana C.)


Uma das suas.
Suave lembrança ensina. Não vou morrer até o fim.
Der e vier de garras afiadas, dentes na mão.
Seu livro solta folhas enquanto leio um poema
Chupadon -
Você disse isso.
Mais doce na manga o coração: duas antigas.
Antigamente, eu me sentia mais nova do que sou.
Isto me faz lembrar outra frase à porta da igreja.
Esta casa qualquer coisa assim
aqui está para todos os homens.
To see, to rest, to pray.
E eu também nem nada.
Morri sem saber quem são os 3.
Mas os outros grandes ... descobri! São
reticentes.
é você
que está ali de roupa clara sorrindo ou fingindo ouvir?
Alguns estão dormindo de tarde.
Coisa ínfima,
quero ficar perto de ti .
 
 
Frase de ganhar o dia:

"Mãe, você é tão maciinha.... Você é o meu mimi!"
(pra quem não sabe, mimi é aquela fraudinha que os bebês usam para esfregar no rosto para dormir)

.
 
 
Quando eu era menina enxergava mais e entendia menos...

 
terça-feira, agosto 06, 2002
 
Engraçado... Diz que ser mãe e ser lésbica é um antagonismo. Porque um é a afirmação máxima da femilinidade e outro é a negação da femilinidade. Mas não sei, acho que pra mim não é assim. Na verdade GH faz com que eu me sinta mais feminina do que qualquer homem. E ser mãe não é apenas afirmação da femilinidade.
 
 
Sem noção. Eu e os meus amigos jogando buraco a noite de sábado literalmente inteira e os meus pais numa festa até as 4 da manhã. Inversão de papéis...
 
 
E olha, essa história de mimar minha GH não dá certo não. Ela já fala que eu não sou romântica, que eu sou má, etc, etc... Se arranja alguém pra mimar mais... Só aviso que ela não dá valor, viu!
 
 
Isso aí é tudo.
 
 
(...)
”e serei feliz aqui e ali, saciado
de chá e lágrimas. Suponho que nunca alcançarei
a Itália, mas pelo menos tenho a tundra terrível.”
(..)
Frank O´hara
 
quinta-feira, agosto 01, 2002
 
Já disse que vou ter muitos gatos: Estela, Ana, Olívia. Otto, Leopoldo, Divino. E se o gato da GH se chamar Otto eu vou TER que ter uma gata chamada Ana. Serão “Os amantes do círculo polar”. Disseram que gata dá trabalho, porque entra no cio. Mas eu acho que tem que agüentar também as desvantagens da feminilidade! Não é assim comigo?!
E até no mundo animal as fêmeas são difíceis. Entram no cio a cada 3 meses. Eles estão prontos pra guerra a qualquer momento. Já pensou a dificuldade para “compatibilizar as agendas” entre as gatas?
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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