Página Preta
quinta-feira, setembro 26, 2002
 
Agorinha, olhando um céu azul com nuvens espessas, muitos prédios, muitas sombras, algumas árvores, o horizonte pertinho, alguns andaimes, algumas crianças, algumas antenas, algumas marcas publicitárias, alguns operários dependurados, só consigo pensar na varanda, na montanha, no cheiro de esterco, no ponto de cruz, no pernil assado, no biscoito de queijo, na grama seca, no olhar das vacas, no horizonte tão grande que enche a vista da fazenda do meu avô. Quando era novo, ele era amansador de cavalos. E tem um que é só dele, de pêlo claro. Um dia fui montar e o cavalo me deu um tombo. Meu avô avisou ”Não, fia, esse é só eu que monto.” Ele diz que “agente tem que jogar com uma carta de menos”, quando quer dizer que é pra desconfiar. E diz que “nós vai ficar lá iguar toicim no saco, sem tê lugar de por”, quando quer dizer que não vai onde minha avó quer porque vai ser inconveniente. E sempre me disse que “cada macaco tem que Ter seu galho, você também vai Ter o seu”, quando achava que eu devia me casar.
 
domingo, setembro 22, 2002
 
Estava eu, no chuveiro, escutando e cantando muitíssimo empolgada John Spencer. Minha menina pequena no banheiro comigo, já tirando a roupinha pra tomar banho também. De repente olho e está lá, do outro lado do blindex, aquele metro de gente, peladona, com a calcinha do lado avesso vestida na cabeça e dançando simulando uma guitarra na barriga. Diz GH que, tal mãe, tal filha... (será que eu sou assim mesmo?)
 
 
Cá estou eu. Fal, não te respondi ainda porque ainda não acabei de ler seu livro. Continua difícil de ler qualquer coisa, sabe. Vez em quando eu pego uma cartinha, um poema. Ganhei "Água Viva" da Savrina e leio muitos pedaços, adoro muitos pedaços mas minha pobre cabecinha não consegue seguir o fio da meada. Mas lerei todos eles. Tem também o da Hilda, que leio um poema aqui, outro aculá. Tem também "Para a menina com uma flor", que só a minha menina das flores poderia me dar. (Assim como só ela poderia me dar poemas da Hilda.) (Ela, neste ponto, iria dizer que não é florista.) Tem também a biografia da Elizabeth Bishop, que vou lendo aos pedaços. E o Ítalo Calvino, "Se um viajante numa noite de verão", que li até quase metade, estava adorando, mas minha cabeça que não consegue ler romance não conseguia se concentrar. Mas já estou adorando pelo prefácil, Fal. Parece mesmo com o jeito que você escreve, leve, cronista, objetivo. Você deve ser dessas pessoas descomplicadas, que ri de tudo. (acho que isso virou carta... acabo no hotmail, tá?)
 
sexta-feira, setembro 20, 2002
 
Tema de Alice
(Adriana Calcanhoto)


Se eu não disser nada
Como é que eu vou saber
Onde fica a entrada
Do castelo do querer
Qual é a resposta
Me diga, então
Qual é a pergunta?
Se eu não disser nada
Como é que eu vou saber
Onde fica a chave
Do mistério de viver.


 
 
Consumismo & Perseverança

Mãe, você não A-D-O-R-A a Barbie?
Não, filha.
Mas você não gosta da Barbie?
Não, filha.
Então por que você brinca de casa da Barbie comigo?
Porque eu gosto de brincar de casa da Barbie, mas eu não gosto da Barbie.
Mas então, mãe, porque você não compra um monte de Barbie pra gente?
 
 
Vou tentar: Estou eu, mais uma vez, no ponto onde o carrinho da minha montanha russa começa a perder velocidade para chegar ao cume. Depois de uma bela vista, já sei de cor o que me espera – minha vida dá as mesmas voltas incansáveis do brinquedo de parque. Só muda o tempo. E eu ainda digo “só”. “Meus dias são um eterno clímax: vivo à beira” é a frase que irei repetir até morrer.




 
sábado, setembro 14, 2002
 


assovio
canto
parada na soleira
meia-luz
do mercado.

se te amo?
não vem ao caso.

eu sou a G.H. e invandi o blog do meu amor porque ela deixou - e pediu... nada mais de profundezas "ana ceanas"... ela não gostou do poema porque não vem ao caso se a amo... não vem ao caso no poema, mas amo muito mesmo. bem, era isso o que eu tinha a dizer, caro leitor de minha amada. deixar-vos-ei a sós com ela novamente. (ou deixar-vos-ei com o benefício de meu silêncio... que profundo...)
 
sexta-feira, setembro 13, 2002
 
Vou largar tudo, dar um tiro na cabeça pra parar de doer, mandar o mundo ir à puta que pariu.

Desculpem o linguajar. (Bobagem, nunca me desculpei antes!)

Alguém reparou que hoje é sexta-feira 13? Minha semana foi toda 13 no trabalho. E o pior é que eu errei. E as pessoas acham que ninguém erra.
 
segunda-feira, setembro 09, 2002
 
(...)
Foi aqui que parei pra tentar ir te ver e nunca conseguir. Voce me teve assim, não foi, querida: o Domingo inteirinho. De cabo a rabo, de sim em sim, até o fim do dia, de luz roxa pesando sobre nós sob a cortina azul. Gostou? Talvez não hajam outros, talvez, só depois, quando formos novamente insanas como os normais. Pelo menos nos afligimos com o que é natural de aflicão, não é? (Sua gata é um filídio, pode nos atacar as jugulares se tiver fome. Me quer longe daqui e só sobe na cama quando eu deixo o quarto. Não seria uma jaguatirica, a parda gatinha que mostra as unhas e dentes de leite?)
(...)
 
quarta-feira, setembro 04, 2002
 
Sempre bom dançar, ficar com os pés doendo e ir trabalhar de ressaca no dia seguinte. Agente só pula a parte dos beijos cinematográficos perto do ponto de táxi, na frente de alguns porteiros e com carros passando. O espantoso é como tudo parece inofensivo na hora.
 
 
Mais algumas pro repertório das mamães:

Canto das sereias, gravado pela Marisa Monte, principalmente na "semana do 'flolcore' "
O trem azul
Eu não sei dizer, nada por dizer...
Por causa de você bate meu peito...
Wave

 
 
Tempo, tempo, tempo, tempo...

És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho...
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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