Página Preta
quarta-feira, fevereiro 26, 2003
 
E seu encontrasse no hall do grande teatro a mulher da minha vida? Passeando às três da tarde de quinta-feira. Ou o homem da cabeça de papelão? E se eu dissesse que quero o homem da cabeça de papelão e sorrisse para ele? E se eu, que sempre me atraso, me atrasasse um pouco mais, pra ver se encontro a mulher da minha vida ou o homem da cabeça de papelão. Ou vou sempre me torturar porque, em cinco minutos, talvez um dos dois passasse por ali. Lendo um panfleto, olhando distraídos mensões honrosas nos painéis. Mas não. Porque no meio de tanto mármore fresco e luz natural, todos se conhecem e se comprimentam. Só eu me sento sozinha, insegura e ignóbil no banco de madeira ao centro do salão. E nem assim me noto. Não me vejo dentro da cena. E quando passarem, de mãos dadas, a mulher da minha vida e o homem da cabeça de papelão, estarei presa, petrificada de mármores no centro da sala, dizendo que gosto do estilo e que o casal combina.
 
 
Quero.
Quando não tenho nada a dizer.
 
 
Estou de férias. E depois de amanhã vou visitar Dearest e sua cidade maravilhosa. Internet só quando tenho saco. Não tem acontecido muito.
 
 
Na verdade é impossível ter palavras pra um gesto tão mudo e cheio de significados. Nunca vou conseguir dizer alguma coisa. Nem sei mais. Fiquei feliz, acho que era o que eu queria dizer. E estava mesmo pensando em quando eu estava grávida, o quanto você foi bacana. E o quão bacana é você. Você é mais que família.
 
 

Estou sem palavras pra você. Assim que tiver algumas te escrevo.
Por enquanto, muitos beijos emocionados. Amo você.

Irmã.
 
quarta-feira, fevereiro 19, 2003
 
Quinze de abril. Nada diário. Nem o ônibus, nem a caminhada, nem o sol. O verão é um lugar, o apartamento é um lugar. Três da tarde é um lugar. Quando te encontro? Onde está o tempo que me cabe? Onde você se escondeu? Ou você me ensina a não ter?
 
 
Houve um primeiro amor. Quando fui embora, ele me deu um livro importante. Tinha “Eterno” no título. Eu nunca li. Já se passaram anos e eu nunca li. Não tivesse dedicatória daria de presente porque chegou tarde.

 
segunda-feira, fevereiro 17, 2003
 
Tá, continuando a discussão astrológica com Pola e GH, é o seguinte: a diferença é que você se preocupa com o que os outros disseram ou pensaram em algumas situações. Mas aí você resolve sempre ligar o “foda-se” e beijar na frente da sua amiga que nunca te viu com uma mulher, dançar de rostinho colado no mesmo recinto que o governador do seu Estado, fazer um blog onde fique óbvio pra quem te conhece que se trata de você e mesmo assim não Ter nenhuma censura etc, etc, etc. Esse é o espírito aquariano. E viva a era de aquário!!!!!!!!!
 
terça-feira, fevereiro 11, 2003
 
Estava esperando criar corpo pra colocar aqui. Já tem algumas coisas mas ainda não está bonitinho. Aliás, se alguém quiser fazer a caridade de nos doar um layout... As meninas são boas, podem ir lá ver uma "conversa de senhoras".

 
domingo, fevereiro 09, 2003
 
Irresistível!



Você é qual personagem em Cavalo de Fogo??
 
quarta-feira, fevereiro 05, 2003
 
Bermuda Larga

muitos lutam por uma causa justa
eu prefiro uma bermuda larga
só quero o que não me encha o saco
luto pelas pedras fora do sapato

Chacal
 
 
"Sentimento materno em dias cinzentos"?
 
 
Antes da chuva, depois da chuva, as poças no caminho e quando só faz sol?
 
 
Não consigo mais pensar. Não aguento mais trabalhar. É sério.
 
 
Eu sei que é grande mas vale a pena. Sebastião Nunes, em coluna do Tempo, de BH, falando sobre a “praga” de poetas atual, classificou as “castas poéticas” em:

Poetas federais-federais:
São raros e escolhidos pelos deuses. Em um século, podem ser contados nos dedos das mãos. Nem sempre fazem sucesso. Pelo contrário, costumam dar com os burros n´agua. Como poesia não é moeda de troca, pois não vale nada, os bons poetas vivem à míngua. Para sobreviver, precisam se pendurar num cabide público, em agências de propaganda, ou numa faculdade qualquer para pagar o aluguel e cobrir o fundo da geladeira. Costumam ler de tudo, inclusive em várias línguas. Não dou exemplo porque não sou besta de mexer em caixa de marimbondo.
Poetas federais-estaduais:
Seu número já é bem maior. Federais pela vida literária e estaduais pela obra, falam pelos cotovelos, freqüentam academias federais, pedem “orelhas” a intelectuais de peso e publicam livros por editoras pequenas. Simpáticos, agradam a gregos e a troianos. Poucos lêem seus poemas, mas isso não importa. Nos lançamentos, os amigos fazem fila. Freqüentam colunas sociais federais e estão sempre pendurados nos primeiros escalões dos governos. Lêem autores brasileiros e traduções. Não dou exemplo porque não enfio mão em cumbuca.
Poetas federais-municipais:
Pequena multidão. Vivem de fofocas e em grupos. Formam associações nacionais e até mesmo internacionais. Falam os diabos dos poetas federais-federais e têm verdadeiros ataques de ódio quando um deles dá entrevista na grande imprensa. Todos se parecem entre si. Também freqüentam colunas sociais, só que estaduais, e penduram-se confortáveis em cargos de quinto escalão. Sua cultura se resume a folhear um livro de vez em quando. Não dou exemplo porque seguro morreu de velho.
Poetas estaduais-estaduais:
São tantos quanto as cidades brasileiras. Fundam revistas que duram dois números, às vezes três. Nelas, são os maiores do mundo. Também nelas, publicam artigos, entrevistas e ensaios elogiando-se uns aos outros. Poetas federais-federais não entram. Poetas federais-estaduais também não. Só entram eles mesmos, seus descendentes e ascendentes. Conseguem bons empregos como assessores de secretários estaduais e chefes de sinecuras públicas. Costumam ganhar prêmios estaduais e municipais, que divulgam como federais e até internacionais. Se informam pela TV. Não dou exemplo para não cair do cavalo.
Poetas estaduais-municipais:
Equivalem ao número de automóveis que circulam em São Paulo. Também fundam revistas que distribuem nos quarteirões onde moram. Participam de missas, velórios, reuniões de condomínio, torcidas organizadas, associações de pais, grupos de caridade, ONGs. Aproveitam tais eventos para distribuir poemas impressos em casa. Tímidos, espiam de longe o sucesso dos poetas federais-federais e até dos federais-estaduais. Procuram subir para o nível dos estaduais-estaduais, mas nunca conseguem. Bons profissionais, costumam ficar ricos. Seus poemas são piegas e fazem chorar as vizinhas mais sentimentais. Nunca ganham prêmios, exceto municipais, mas culpam por isso o despreparo intelectual das comissões julgadoras. Leram 20 livros. Não dou exemplo porque de pensar morreu um burro.
Poetas municipais-municipais:
São incontáveis. Tantos quantos os grãos de areia das praias do Espírito Santo. Não levam poesia muito a sério, mas escrevem de vez em quando. Seus temas preferidos são mendigos, velhinhas desamparadas, crueldade com os animais, borboletas e os netos. Cometem erros monumentais de lógica, rima, ritmo, ortografia, história, política e o diabo a quatro. Usam epígrafes de músicos populares e autores de auto-ajuda. Têm vergonha de publicar em livro os poemas. Em compensação, a Internet vive cheia deles. Todo dia remetem milhares de e-mails para conhecidos e desconhecidos. Quando, por acaso, sai uma linha na imprensa a seu respeito, mandam cópia até para o capeta. São alegres, sadios, bons pais, bons maridos e muito amigos de seus amigos. Quando jovens, escreviam versos para arranjar namorada. Depois de velhos, continuam a escrever do mesmo jeito. Sua cultura parou no primeiro grau já leram uns dez livros. Não dou exemplo porque não sou besta.
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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