Página Preta
sexta-feira, janeiro 30, 2004
 
Não quero nunca mais cantar essa porra de música de dor de cotovelo. Não quero nem lembrar da minha voz chorosa e do travesseiro molhado porque não quero mais essa merda de não dar certo. Vai dar pé. Quero nem saber, vai sim. Quero nem ver. E você não me venha com conversa mole. E não venha mesmo. Só venha se for pra abusar, sempre. Se for pra dar certo. E não venha com essa de aceitar meu cu doce. O cu eu não dou, você sabe. Então larga o mel, esquece o fel, ligue o foda-se, deite e role na lama em que nos afundamos. Sorria comigo essa lama e me deixe pensar que é sempre, sem saber o que é sempre. Sempre, meu bem, sempre. Minha mão é da sua. E é com você que vão dar certo todas as minhas crenças piegas sobre o amor. Eu sei, eu sei, e não diga que eu não sei. Não diga que o poema é feio, que o lugar é comum, que a palavra é melosa, que cor-de-rosa não se usa. Não se usa pra sempre e eu não quero nem saber de aqui é Terra do Nunca proque pra mim é sempre. Sempre.
 
terça-feira, janeiro 27, 2004
 
Quando, querido,
Quando
Você pousa
Palavras feias
Pesa a mão
Estala o quadril
Ah, querido,
Quando
O escuro é forte
E você prende
A luz acesa
O dorso pequeno
Em palavras fluidas
E sorriso doce
Torpe
Feito sombra de
Luz da rua
Então,
 
segunda-feira, janeiro 26, 2004
 
Busco um papel, a gaveta, a pilha, migalhas de celulose, grafite, tampa de caneta. resquício de coisas enfurnadas há mais de dois anos. Música bilhete revista cerâmica moldada dois. A gaveta exala cheiro de clausura de certos objetos indevidos. A poeira de desejos não realizados entra pelas narinas, não deve-se olhar. Recuso, é verdade, o pouco e o fracasso. Engasgo. Poeira de desejo intoxica. Onde está o bronco-dilatador? Onde está? Um, dois, três. Um, dois, três. Onde está? Um, dois, três. Respire a minha boca. Um, dois, três. Até afogar.
 
terça-feira, janeiro 20, 2004
 
merda. crédito. conforto. dois quartos. carro. trabalho. asfalto. medo. gato. cheiro. força. tédio. palavra. chuva. hora. porra nenhuma. gordura. tijolo. concreto. teclado. cão. poste. força. credo. leite. cinto. cruz. pé. força. cartão. verão. centro. força. muito. tênis. fora. espera. correio. mão. força. barriga. gesto. carvão. suor. força. trilho. vento. corretivo. corda. força. tempo. vida. vento. força. tempo. vida. vento. força. tempo.vida. vento. força. tempo. vida. vento. força. tempo. vida. vento. força. tempo.vida. vento. força. tempo. vida. vento. força. tempo. vida. vento. força. tempo.vida. vento. força.
 
sábado, janeiro 17, 2004
 
todas as dores mal-transbordando, mal-sentidas, mal, paradas na garganta, abaixo do gog?. Ficcionais? Fantasiadas? Vestidas de bailarina. S? na ponta do dedo esfolado sobre o qual ela gira, a dor.
 
 
ACROBATA DA DOR

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sangüinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d’aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

(Cruz e Souza)
 
sexta-feira, janeiro 16, 2004
 
An attempt to

Fazer a unha
um apartamento
misturar o macarrão ao molho de forma homogênea
Abrir a correspondência
Não leio. Nem extrato
Nem saudade
Não sei disso.
Não pergunte, fique
Não há pedido
Não há sim
Ver televisão atéééé
Vou sair da cabeça, da casa. Entenda:
Entenda:
a vírgula reverbera
o hiato dos olhos
unhas crescidas
tempo.
 
 
De 13 de janeiro

A senhora de cóqui no cabelo
a casa
o jardim imenso
ela caminhava.
Tão só que venci
a timidez e a
ofereci meu telefone.
Pra se precisasse.
Então ela recusou: tenho 11 filhos.
 
quarta-feira, janeiro 14, 2004
 
Esquisito. Dearest me deu um cd muito bacana na última visita, do Red Hot Rio. (o melhor é que no fim de ano nós trocamos os presentes que compramos uma pra outro para a visita do carnaval. Aí saíamos juntas e esquecíamos os presentes. A ONG continua firme e forte, né Dear?) Mas eu fiquei com a música mais esquisita na cabeça. “Eu preciso dizer que te amo”, o Cazuza com uma voz bem bicha dando piti no estúdio, violão e a voz da Bebel Gilberto. E eu admito que gostei, apesar de não gostar do Cazuza. Também admito que gosto de algumas coisas do Cazuza. Daqui a pouco vem a Póla me xingar. Mas tem a ver com a minha ansiedade, “eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano”. Tipo “ou vai ou racha” mas dúvida eu não agüento. Nem as que eu invento.

Preciso Dizer Que Te Amo
(Bebel Gilberto, Dé e Cazuza)
Quando a gente conversa
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo (que medo...)
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que te amo, tanto
E até o tempo passa arrastado
Só para eu ficar ao teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre, e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo (que amigo!)
Que eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Que eu preciso dizer que eu te amo, tanto



Em tempo: O gosto musical da Savrina não é "duvidoso"
 
terça-feira, janeiro 13, 2004
 
Cheiro de noite e foligem.
 
 
Existe um capítulo seu. De como e queria o mundo certo pra você. De como eu me queria certa pra você. Mas não sou. Só espero que me desculpe dessas coisas. Conjunturas, como diz o incompetente. Somos duas nesse mar, somos nossos cabelos nesse vento. Amo você, escolho seu nome a cada chamado, chamo seu cabelo liso a cada noite, querida. Boa noite.
 
 
Aviso: voltei, mas estou em crise.
Também, estou cheia de Ana C., de rua Tonelero, de Rio de Janeiro com chuva. Á vontade de abrir os braços e sentir frio.

Aviso 2: abandonei o blog porque estava de férias, nem voltei pro pantanal, Lara. Só enchi o saco desse negócio. Mas agora eu acho que desenchi. Vamos ver.
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

ARCHIVES
09/01/2001 - 10/01/2001 / 10/01/2001 - 11/01/2001 / 11/01/2001 - 12/01/2001 / 12/01/2001 - 01/01/2002 / 01/01/2002 - 02/01/2002 / 02/01/2002 - 03/01/2002 / 03/01/2002 - 04/01/2002 / 04/01/2002 - 05/01/2002 / 05/01/2002 - 06/01/2002 / 06/01/2002 - 07/01/2002 / 07/01/2002 - 08/01/2002 / 08/01/2002 - 09/01/2002 / 09/01/2002 - 10/01/2002 / 10/01/2002 - 11/01/2002 / 11/01/2002 - 12/01/2002 / 12/01/2002 - 01/01/2003 / 01/01/2003 - 02/01/2003 / 02/01/2003 - 03/01/2003 / 03/01/2003 - 04/01/2003 / 04/01/2003 - 05/01/2003 / 05/01/2003 - 06/01/2003 / 06/01/2003 - 07/01/2003 / 07/01/2003 - 08/01/2003 / 08/01/2003 - 09/01/2003 / 09/01/2003 - 10/01/2003 / 10/01/2003 - 11/01/2003 / 11/01/2003 - 12/01/2003 / 01/01/2004 - 02/01/2004 / 02/01/2004 - 03/01/2004 / 03/01/2004 - 04/01/2004 / 04/01/2004 - 05/01/2004 / 05/01/2004 - 06/01/2004 / 06/01/2004 - 07/01/2004 / 07/01/2004 - 08/01/2004 / 08/01/2004 - 09/01/2004 / 09/01/2004 - 10/01/2004 / 10/01/2004 - 11/01/2004 / 11/01/2004 - 12/01/2004 / 12/01/2004 - 01/01/2005 / 01/01/2005 - 02/01/2005 / 03/01/2005 - 04/01/2005 / 04/01/2005 - 05/01/2005 / 05/01/2005 - 06/01/2005 / 06/01/2005 - 07/01/2005 / 07/01/2005 - 08/01/2005 / 08/01/2005 - 09/01/2005 / 11/01/2005 - 12/01/2005 / 01/01/2006 - 02/01/2006 / 02/01/2006 - 03/01/2006 / 03/01/2006 - 04/01/2006 / 04/01/2006 - 05/01/2006 / 05/01/2006 - 06/01/2006 / 08/01/2006 - 09/01/2006 / 09/01/2006 - 10/01/2006 / 10/01/2006 - 11/01/2006 /


Powered by Blogger