Página Preta
quarta-feira, março 24, 2004
 
Foi aí que Luiza pensou, com seus botões, em frente ao espelho, reparando de perto muito perto alguns aspectos de sua expressão. Luiza pensou que suas unhas estavam vermelhas, que há uma ruga, que ela precisa tirar alguns pêlos do rosto. Que, afinal, não adianta mesmo pensar. A bezerra morreu, o leite derramou e, se Luiza chora, logo já se distrai com a imagem do par de lágrimas correndo as bochechas.
Então ela não pensa, chora um pouquinho, se cala e vai dormir com gosto de menta morna nos olhos.
 
terça-feira, março 23, 2004
 
Há 11 meses

-----Mensagem original-----
Enviada em: terça-feira, 23 de março de 2004 17:33
Assunto: RES: sonhos, sonhos são

eh... tá com cabelo preso pra cima, tá com um sorriso bem bobo por dentro
mas um quase sorriso por fora, porque tem que disfarçar. Tá com expressão de
suspiro, olhando longe. Projetada na testa está a cena do encerramento do
Comida di Buteco com você me apertando até me deixar sem ar e me pedindo
desculpa por estar Meloso. Caetano Meloso. E eu rindo, rindo da piada. E eu
me sentindo feito uma coisa de pelúcia no meio de toda a "gente bonita" e da
"festa bombando", achando que tava todo mundo olhando pra gente e pensando
porque aquele rapaz ficava apertando aquele urso azul. Atenção especial à
legenda "eu te amo, você sabe" em times do email de hoje cedo.
 
quarta-feira, março 17, 2004
 
Mulherzinha


Continuo tentando escolher suas palavras à dedo. Planejo colocá-las em papel azul-claro, fazer eu mesma uma moldura de flores coloridas, caprichar na letra e pregar na parede do quarto do Drummond (será que ele vai dormir lá?).
Cada vez que te olho, encontro seus olhos e me assusto, tenho medo de estragar coisas, trocar os pés pelas mãos, vestir a camiseta “DRAMA” e foder as coisas. Eu me conheço e não quero isso pra mim.
Dessa vez vou cuidar bem, parar minha cabeça no ar quando vier a queda livre.
Um dia eu acho as palavras pra você. Prometo não cansar de procurar. Vai ser alguma coisa com MANHÃ, ALGODÃO 200 FIOS, BANHO DE MAR EM RIO DE JANEIRO COM CHUVA, LEVE, INESCAPÁVEL E FELICIDADE.
Por enquanto, espero que essas te beijem o coração, pra eu poder deitar no seu peito de novo e ouvir barulho de onda sossegada em mar fresco-quase-morno.



Salete Goldfinger



Seus olhos furtados no trânsito
o bejio não acabou
quando o sinal abril
fechou
o sinal abril, veja: verde
sobre a lataria
em energia elétrica,
aço empoeirado
e vidro. Verde.
Amo a hora de te deixar na cama
de ver a distância o seu amor
de ser torrente de ternura em olhos
e um beijo no rosto.
 
 
A mágoa parecia transbordar o crânio e encher os olhos, o peito. Assim, tomada do líquido aquoso e rosado da mágoa, Luiza já não dizia coisa com coisa e só queria ficar alegre de novo pra poder dormir. Questões morais não faziam mais sentido mas Luiza andava. No chão boiava a imagem líquida de um sonho errado.
 
 
Triste. Tinta de mais na palavra escrita devagar. Luiza vence o vento e avança. Segura os cabelos e continua. Enfrenta a areia e segue. A cada passo ela não cai. Porque pisa mas não vê o chão.
 
quarta-feira, março 10, 2004
 
por 26 de fevereiro:

a vontade é tanta que perde o alvo
a vontade é flecha que goza no ar
a vontade não quer gozar
a vontade é mantra repetida em si mesma
espalhada a esmo, barata tonta
a vontade é alienada
é alegria entrincheirada
infértil
quando atinge o alvo
a vontade é tanta
tanta
a vontade é tanta lama, casca, caule, folha, flor
é esparramada no deleite de correr
correr correr
 
 
O ventre vazio. Meu coração foi transmutado em espuma e agora bolhas ferventam e transbordam dentro do tórax. Calada, eu sinto pena da sombra dos meus cílios na parede.
 
 
É só que hoje me deu uma saudade muito grande do cheiro do ar quando alguma coisa boa vai acontecer.


Acaso e Caos

E alguém sabe porque é
Que dia desses
Sem menos
Sem tempo
O show não deu pé
A cerveja acabou
E a gente foi parar naquele beijo?
 
sexta-feira, março 05, 2004
 
o vulto da moça triste na janela
A sombra no muro de chapisco
a moldura entristece o vulto da moça
não há motivo, não há moldura
a sombra no muro triste de chapisco
e mesmo a sombra, ela não há.
o vulto do muro de chapisco gritado da janela
não há tom de azul assim no céu
o muro da moça na janela triste
só há o preceito da tristeza
o muro chora chapisco
a receita familiar
o implacável
a vontade
só há a pergunta
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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