Frescor de noite barata, de ceia de rua, de credo rezado a dois. Inveja matou meus calos, trombou o fusca da esquina no tênis e baratas moravam nas frestas. Você protegia meus entrededos. É de quando meu leite derramava e você sorvia sorrindo, tanto quanto é possível. Uma poça de dias não-passados pingava debaixo do asfalto mas nós não sabíamos. O medo é meu substantivo recorrente, de presença tão certa quanto o assento flutuante do avião. Inveja antiga me cutuca, refresca a memória, o leite dela respinga e uma gota atinge meus olhos. Sinto sabor.