Enquanto dormia, a parede cresceu. Enquanto a parede crescia, escrevia. Traçava impressões, inventava conclusões, sorria, apertava os dentes, criava rugas, curvas, gotas, cores. Entortava linhas. Enquanto a parede escrevia aliviava a pressão do sangue que circulava no plexo solar. A parede fazia bem. Em perspectiva, enquanto ameaçava cair devagar sobre sua cabeça. Esquecia, enquanto isso, impressões importantes bicolores, grandes palavras mãos que ultrapassavam o concreto e procuravam pouso em seu seio esquerdo, enquanto trancava a porta do quarto antigo.