Página Preta
sexta-feira, janeiro 27, 2006
 
Se são só palavras tontas
Se são tantas palavras e ainda só
Ainda só me penetram a pele e as veias
Me correm e comprimem artérias
Atravessam ilesas sístole e diástole
Sons vadios pelos olhos, cabelos
Tontura, criança, gozo, cubos de gelo
São só,
Porque tão só consolam o tempo em que não existo?
 
segunda-feira, janeiro 16, 2006
 
A mulher se perdeu em seu próprio ventre. A mulher se matou por dentro porque seu ventre não estava mais lá. Seu útero já se espalhava pelo asfalto quente, estava calor, ela se lembra. Ela não se esquece, a mulher despedaçada sobre a cama. Ela desfalece em seus guardados, seus filhos, seus lençóis. Mas isso não é esquecer. Argumenta. Sua boca larga tem força pra dizer. Onde escondeu-se a fragilidade daquela mulher? Se o ventre, terra preta e enxada, se o pequeno porte abriu-se sem ferida. Se a vida hoje debruça-se sobre seu corpo cheia de cuidados, para que o sofrimento não sofra tanto. Sem tocar a pele pra que não se abra. Sem olhar os ossos para que não se quebrem. Sem que se façam perguntas que não serão respondidas. Converse em silêncio pra que ela responda, dentro da sala onde repousa o corpo que alguém ousa dizer frágil. Sutil talvez, a conversa, os ossos, os olhos que vão longe. Não toque a mulher, o pequeno pássaro corajoso que não exita em falar alto, que padece com coragem e precisa de ajuda para expirar a última fumaça violeta de dentro da sala escura de seus pulmões, por enquanto, repousa agora sobre a palma de cada uma das mãos.
 
 
Onde escondeu-se a fragilidade daquela mulher? Se o ventre, terra preta e enxada, se o pequeno porte abriu-se sem ferida. Se a vida hoje debruça-se sobre seu corpo cheia de cuidados, para que o sofrimento não sofra tanto. Sem tocar a pele pra que não se abram feridas. Sem olhar os ossos para que não se quebrem. Sem que se façam perguntas que não serão respondidas. Converse em silêncio pra que ela responda, dentro da sala onde repousa o corpo que alguém ousa dizer frágil. Sutil talvez, a conversa, os ossos, os olhos que vão longe. Não toque a mulher, o pequeno pássaro corajoso que não exita em falar alto, que padeceu com coragem e precisou de ajuda para expirar a última fumaça violeta de dentro da sala escura de seus pulmões, por enquanto, repousa agora sobre a palma de cada uma das mãos que criou.
 
terça-feira, janeiro 10, 2006
 
O papel travesseia com letras
Guerreia - são só travesseiros
Apesar de temer gemidos e gritos de horror
Trapaceia cordões de carícias do colo da mãe
que dá voltas pelo pescoço, cuida, cuida e beija, a mãe
Deixa roubar, distraída, devota do santo cordão
Corre vestida de letras e leva no colo o pobre papel
 
 
breve o tempo quente
branda o meio dia
bebe o sol de canudinho
de cabeça pra baixo
quente chupa o pé
penetra a telha
goza a gota:
breve, breve.
Atrás da montanha
o cobertor se esconde.
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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