Sentaí, ela disse, dizendo que ia fazer uma música comigo. Disse e já foi rabiscando o papel, não interessa a palavra mas a tentativa. Ah, a tentativa é que era bom, ela dizia e inventava letras, vocábulos, toda a Ópera. Eu faço a letra, ela não parava de dizer, e você faz o ‘ritmo’.Você quis dizer melodia, ousei e, desta vez calada, me calou com o olhar. Escreveu e ia dizendo o mar, o som, a mulher, o homem, o beijo de lingua, sorvete de creme holandês, mar. Perguntou pelo violão e eu lá parado, sem dizer palavra, que ela só dizia. Quando eu disse que a palavra tava repetida ela, repetida? A repetição é que importa, amor.