Página Preta
quarta-feira, janeiro 30, 2002
 
Por favor, gostaria de saber se isso tá muito ruim ou tá tranquilo. É que li a poesia abaixo



NÃO SE ESQUEÇAM
Clarice

não se esqueçam
do sol da manhã
da chuva do entardecer
das estrelas da noite

não se esqueçam
do mar verdeazul
do céu sobrenós
da terra nossamãe

não se esqueçam
do sorriso de amizade
das lágrimas de dor
dos sonhos da vida

não se esqueçam
da beleza dos homens
da leveza do ser
da certeza da poesia


no Anônimo e escrevi uma resposta:



Não se esqueça, Clarice
Que o mar está dentro
Que o céu não acaba e está sobrenós
Que a terra caleja

Que sorrir é de dor
Que chorar é de vida
Que o difícil não há amigo que dê jeito

Não se esqueça
Que bonito é mulher
Que ser é de chumbo
Que poesia é o incerto embora haja tanta certeza pela vida

Esquece, Clarice.
Que a poesia é verdeazul
De mar que imerge tudo.
Esquece, Clarice
Que não é tão bonito
E no final, as piores dores
Acabam no estômago
Não nos versos



Pensei em mandar pro Carlos. O que acham?
Ah! Pra quem não conhece o Anônimo(?), essa Clarice não é Lispector (dãa... óbvio mas não custa dizer.)
 
terça-feira, janeiro 29, 2002
 


A namorada da neurótica estudante de letras

A narrativa se encontra no ponto em que os jogos de palavras conhecem vencedor: um verbinho muito do simplório que quebrou regras, trapaceou e venceu. O mundo é dos espertos.

 
quinta-feira, janeiro 24, 2002
 

Para os que não pulam os posts grandes

"Achei inútil dizer qualquer coisa, não faz sentido, eu pensei, largar nestas pobres mãos cobertas de farinha a haste de um cravo exasperado, não faz sentido, eu pensei duas vezes, manchar seu avental, cortar o cordão esquartejando um sol sangüíneo do meio dia, não faz sentido, eu pensei três vezes, rasgar lençóis e pétalas, queimar cabelos e outras folhas, encher minha boca drasticamente construída com as cinzas devassadas da família, por isso em vez de dizer a senhora não me conhece, achei melhor, sem me desviar do traço de calcário, mesmo sem água, de boca seca e salgada, achei melhor me guardar trancado diante dela, como alguém que não tivesse nada, e na verdade eu não tinha nada para dizer a ela; e ela queria dizer alguma coisa, e eu pensei a mãe tem alguma coisa pra dizer que eu vou talvez escutar, alguma coisa pra dizer que deve quem sabe ser guardada com cuidado, mas tudo o que pude ouvir, sem que ela dissesse nada, foram as trincas na louça antiga do seu ventre, ouvi dos seus olhos um dilacerdao grito de mãe no parto, senti seu fruto secando com meu hálito quente, mas eu não podia fazer nada, eu podia quem sabe dizer alguma coisa, meus olhos estavam escuros, mesmo assim não era impossível eu dizer, por exemplo, eu e a senhora começamos a demolir a casa, seria agora o momento de atirar todos os pratos e moscas pela janela o nosso velho guarda-comida, raspar a madeira, agitar os alicerces, pôr em vibração as paredes enervosas, fazendo tombar com nosso vento as telhas e as nossas penas em alvoroço como se caíssem folhas; não era impossível eu dizer pra ela vamos aparar, mãe, com nossas mãos terníssimas, os laivos de sangue das nossas pedras, vamos pôr grito neste rito, não basta o lançamento quebrado da matraca lá na capela; não era impossível mas eu já te disse, Pedro, meus olhos estavam mais escuros do que jamais alguma vez estiveram, como podia eu empunhar o martelo e o serrote e reconstruir o silêncio da casa e seus corredores?" (trecho de Lavoura Arcaica, Raduan Nassar)

 
terça-feira, janeiro 22, 2002
 
Ela me negou misericórdia. Impiedosa,
disse que escrevo antigo
Que sou difícil, que não entende
Eu aqui, inconsolóvel. Só esperando consolo...
 
 
Sonhei que abria uma revista, toda em branco, e lia uma matéria sobre freiras confinadas há muitos anos. A matéria tinha dois olhos (olhos de matéria, se é que me entendem). Em um eu li, pensando que tinha de ter atenção pra acordar e anotar : "Quero ser usuarte de Kana. Kana é bom pra pele. E assim, tirando o frio que não é café, fica bom. (Irmã Carmen, confinada há 16 anos)"
Se é que me entedem.
Voltei a dormir e depois fui ler. Descobri que a letra estava horrível e que, na hora do sonho, fazia todo sentido.
 
 
Os dias foram muito depressa caindo um a um. Não são mais um punhado. Não dá mais pra fazer festa.
 
 
Olha, o Zé tem um blog e ninguém me conta! A propósito, parabéns pelo sobrinho, se você lê este aqui. (se lê, detesta né, Zé...)
 
segunda-feira, janeiro 21, 2002
 
Ando assim, desconsertada, desconcertada, sem a menor harmonia...
 
 
é, eu escrevi "cismou" com S. Eu não tenho orgulho disso. Na verdade eu morro de vergonha dessas coisas que eu faço, mas eu faço. É por isso que namoro uma estudante de letras... Ela disse "Meu amor, cismou é com c." É?" "É. Mas depois tem um s."
 
sexta-feira, janeiro 18, 2002
 



Fomos ver Miró ontem.Levei a Malu. Quando chegou ela viu todos aqueles quadros e me perguntou "cadê o Miró". Eu expliquei que ele não ia estar lá. Mas ela sismou. Queria porque queria ver o Miró em pessoa. Tive que dizer que ele tinha morrido, lá na Espanha, que é muito longe. Ela me convidou pra ir lá vê-lo. Eu expliquei que ele estava enterrado, pensando que eu era inescrupulosa de dizer a uma criança de 3 anos que os corpos das pessoas são enterrados quando elas morrem. A garotinha inusitada replicou, muito simples: "Agente desenterra!"....
Apelei pra: "Não tem jeito de desenterrar não." Quando ela perguntou porquê, eu encerrei a conversa. Porque não. Eu não ia dizer que era porque ele já devia estar podre lá dentro, né.
 
quarta-feira, janeiro 16, 2002
 

PRONTO SOCORRO MAYSA # 1

Nossa Senhora dos Aflitos
tirai os olhos dela
de dentro de mim.

(Marcelo Dolabella)




Lembra quando você me mandou isso? Eu não lembrava. Foi igual receber de novo sem nunca ter recebido. Dei um sorriso bobo...

 
 
Duvido que depois dessa alguém ainda leia isso.
 
 
Vou te mostrar "algum remédio que te dê alegria", baby. Hahaha....

Ah, se ela estivesse aqui...
 
 
Se alguém que não devia estiver lendo:

Não quero saber.
Não quero ouvir.
Não quero falar.
 
 

Luz dos olhos.
Save-me (bem alto, falsete(seêeive-me))

 
terça-feira, janeiro 15, 2002
 
E acabei de perceber que junto com meu icq foi embora na formatação do pc todos os diálogos incríveis com a minha GH de araque. Putaquepariu!
 
 
Ontem o homem olhou a minha língua e disse que eu tinha muita raiva. PolaPomix disse que veneno é fácil de ver...
 
 
Engraçado, tenho mais medo de fantasma hoje do que quando era criança. E hoje acredito neles mais do que na época. Será que isso que dizer alguma coisa?
 
sábado, janeiro 12, 2002
 
Das vantagens de não ter memória

Enlouquecedor
Enlouquece dor
Dor louque em se
Dor enlouquece
Esquece
Esquecedor
Tempo
Tempodor
Melhor que morfina
Melhor que melhoral
Melhor que dipirona
Areia nos ouvidos
Macio ser são
Enlouquece, dor
Anticorpo pro prazer
Antítese em que se dá
Antídoto de ser dor
Sedar
Enlouquesedativo
Esquecedor
Tempo
 
 
Pois é. Eu estou viva, apesar das joaninhas só viverem alguns dias. Me disseram que estava horrível acabar meu blog com essa última mensagem aí. Péssimo mesmo. Fiquei boa depois disso. Depois fiquei ruim de novo. Depois boa e depois acabou tudo de vez no natal e reveilon (aliás, feliz tudo pra quem por acaso ler isso aqui). Agora já tô boa. Acho que posso chamar a minha vida emocional de montanha russa. Mas é isso aí. Não vou me formar mais. Quer dizer, ficou pro próximo semestre porque eu tomei pau em radiojornalismo. Foi deprê. Eu odeio rádio. E o que mais me irrita é que todo mundo que gosta de rádio gosta muito. E acha uma coisa transcedental.
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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