Página Preta
sexta-feira, novembro 28, 2003
 
Ganhei até poesia do meu Atirador. Não sei se ele sabe como eu fiquei feliz. Não sei se tem idéia de como me deixa feliz. Mas deixa.

Calo Amor


O amor sempre foi como um calo pra mim:
me incomodava, mas me lembrava
que eu estava vivo.
Quando o encontrei,
fiquei como estou agora - sem palavras
Percebendo meu medo de não estar à altura
de seu merecimento,
ele sorriu,
fechou meus olhos,
e me deu um beijo,
de suavidade e relaxamento.
 
segunda-feira, novembro 24, 2003
 
Tangerina. O poema da palavra ácida invade os ouvidos da moça. E ele repete, “tangerina”, reparando o rosto dela enquanto ouve a sílaba “ri”. Para ele é a penúltima sílaba que faz tangerina ser tão ácida. Tão laranja o tal “i” que invade a boca enquanto arrebentam os minúsculos gominhos da popa. “Tangerina”, ele insiste, ela levanta as sobrancelhas e aperta os olhos, enquanto a língua fresca lhe invade o ouvido.
 
quarta-feira, novembro 19, 2003
 
Todos os suspiros a seu lado, um por um, você ignora. Amor, raiva, cansaço. Você não sabe e eu não escondo. Você dorme. Ignora também a ausência da minha mão. Olha, não quero conversa. Olha. Não se nega um gesto. O gesto não volta atrás. Não escuto meu sono quando é volta.
 
 
Derradeiro suspiro de amor acabado em bits, ofensa, palavrão, abreaspas, versão amigável para impressora. F5. Nada. E nada.
 
 
último romance

eu encontrei
quando não quis
mais procurar
o meu amor

e quanto levou
foi pr'eu merecer
antes um mês
e eu ja não sei...

e até quem me vê
lendo o jornal
na fila do pão
sabe que eu te encontrei

e ninguém dirá
que é tarde demais,
que é tão diferente assim
o nosso amor
a gente é que sabe

me diz o que é o sufoco
que eu te mostro alguém
a fim de te acompanhar
e se o caso for de ir à praia
eu levo essa casa numa sacola!

eu encontrei
e quis duvidar
tanto clichê
deve não ser

você me falou
pr'eu não me preocupar
ter fé e ver
coragem no amor

e só de ter ver
eu penso em trocar
a minha tv
num jeito de te levar...

a qualquer lugar
que você queira
e ir onde o vento for,
que pra nós dois
sair de casa já é se aventurar

me diz o que é o sossego
que eu te mostro alguém
a fim de te acompanhar
e se o tempo for te levar
eu sigo essa hora
e pego carona
pra te acompanhar
 
quinta-feira, novembro 13, 2003
 
Temo os versos da minha cabeça, não penso. Minha cabeça de mentiras deslavadas que percorrem os neurônios de todo o corpo. Impulsos elétricos, mentira. Essa dor é mentira. A coceira é mentira. O mamilo enrijecido é mentira. O sangue dormente no peito é mentira. É mentira o sopro na nuca. O frio. Mentira o orgasmo. É mentira a sensação que me corre as pernas, a espinha, me enche o crânio, me ferve a face e me fecha os olhos diante da sua palavra. Não rimo, minto.
 
segunda-feira, novembro 10, 2003
 
O corpo do poema desenhado em meu corpo, extendido, sunbathing sobre a minha anca esquerda. Não sei se esqueço o corpo do seu poema. O poema em branco lambendo-me a espinha. O poema claro como a luz da TV. Sem som. O tempo, da janela, solto e cheiroso.
 
sexta-feira, novembro 07, 2003
 
Quase posso enxergar suas células se multiplicando infinitamente, se transformando em cabelos, dedos, covinhas ao lado do sorriso, pele, olho, ralado de muro de chapisco, sujeira pra tirar com bucha vegetal. Quase posso ver sua respiração crescer, seu corpo ocupar mais da metade da cama, sua vida criar idéias, pensamentos, jóias, bilhetes, músicas. Mais que espanto, mais que absurdamento, mais que fim de sinfonia cheia de pratos que o percursionista demorou a obra inteira pra tocar. Mais que tudo, mais que amo, minha pequena menina.
 
 
E abusei da minha desculpa preferida "Desculpa, mas eu estava no Pantanal".

"Você não devolveu o filme da locadora que roubaram no carro."
"Desculpe, eu estava no Pantanal"

"Você não respondeu o email que eu mandei há uma semana."
"Desculpe, eu estava no Pantanal"

"Você nunca mais escreveu no Blog."
"Desculpe, eu estava no Pantanal"

e etc, etc, etc.
 
 
Sou uma moça viajada. "Conheci" Pantanal, Salvador, Campo Grande, Recife, São Luiz e Anajatuba. Se mais alguém falar "nossa, que sorte, queria um emprego assim", eu mato. Juro que mato.
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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