Página Preta
quinta-feira, setembro 30, 2004
 
Meu barco segue seu enredo, querido. Suas veias, seu teto, sua saliva. Irei sempre te estender a mão querendo ajuda, não porque eu possa te salvar. Minhas costas eretas sempre seguram seus cabelos. Além disso fazia frio, na ilha e eu não queria estar lá. Você me busca? Você me encontra? Você consegue encontrar a ilha fria no meio do mar? Você segura a minha mão quando o lençol afundar?
 
quarta-feira, setembro 29, 2004
 
Espere o calor passar,
o sono ventar.
A senha é
sede
seda
servo
senso
silva
salmo
sonho
sol
Espalme a mão esquerda sobre a minha barriga esticada sobre a cama.
 
quinta-feira, setembro 23, 2004
 
Corrigindo: a Micheliny não ganhou ainda, é "só" uma das dez finalistas do prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira.
 
 
A libélula chega dançando mansa sobre a piscina. Ameaça o equilibrio do corpo que bóia de maiô preto. A libélula se aproxima, salpica a água, contorna a moça, começa pelos pés. Joelho, quadril, cintura, ombros. Chega ao ouvido, se demora mais um instante, sussurra dois saltinhos. Oferece mais um e a moça consente com a cabeça. Na testa e a moça se desequilibra, balança, entorna duas gotas, encontra o chão com os pés - perde o jogo.

 
segunda-feira, setembro 20, 2004
 
Olha, que bonito! É daquela moça que ganhou o prêmio, Micheliny Verunschk (ô diabo de nome difícil).

Segredo de camarinha

Cora,
teu retrato amarelado de
moça
fala à minha dor.


Teu retrato-butterfly antigo
pousa,
pousa sobre
a rosa remendada
de minha dor.


Aquele rapaz, Cora,
que tinha o medo
(o medo que têm todos os homens)
e que não pressentiu a espera ancestral,
aquele rapaz, Cora,
o desencontrei também.


Ele vestia
o mesmo sorriso
e o mesmo cheiro bom de terra
e o mesmo medo
(ainda o medo)
o medo
ele vestia.


(O que há de se fazer,
Cora,
com um mal destes de amor ?)


Cora,
teu antigo retrato de moça
baila-bailarina
sobre a minha dor.

 
segunda-feira, setembro 06, 2004
 
"(...) a cada momento, tudo se perde." (caio fernando e a sensação do dia)
 
A esse ponto tudo parece antigo. Eu mesma pareço tão distante. Eu mesma estranho meu perfume, minhas calças, meus pés. Eu mesma desmancho os navios e naufrago refazendo frases.

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